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Entretenimento

Rádio Cafuné: projeto on-line vira espaço de resistência cultural

Plataforma no Zoom promove debates relevantes, músicas de todos os tipos e acolhimento em meio à pandemia

29/08/2021 05:00, atualizado 29/08/2021 10:54
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Arte/Metrópoles
Arte rádio cafuné

Uma plataforma on-line, com transmissão 24h por dia pelo Zoom, na qual todo mundo pode tocar o que quiser, conhecer gente nova, extravasar no karaokê ou debater temas importantes como o feminismo. Assim é a Rádio Cafuné, iniciativa brasiliense que nasceu despretensiosamente em setembro do ano passado e, prestes a completar um ano no próximo dia 5, já soma 8 mil horas de transmissão ininterruptas, 80 projetos realizados e milhares de ouvintes cativos, de todas as partes do país e do mundo.

O projeto começou quando, em um sábado de manhã em meio à pandemia de Covid-19, o DJ Thiago Freitas resolveu abrir uma sala no Zoom para “fazer um som” e saiu distribuindo o link em seus grupos de Whatsapp. “As pessoas às vezes acordavam de ressaca, na pilha e eu colocava uma música pra tirar as pessoas da cama e ficávamos ali, interagindo”, conta o idealizador da rádio.

Com as transmissões ocorrendo com mais frequência, ele resolveu dar nome à iniciativa. “Pensei em dar o nome de Rádio Cafuné, porque é muito bom acordar com um cafuné musical. E foi a partir do nome que criamos todo o conceito da rádio”, diz.

Foi em 5 de setembro do ano passado, que o projeto de Thiago deixou de ser pessoal para se tornar um bem coletivo. “Nesse dia eu nem ia abrir a rádio, não tava muito na pilha, mas o Caetano Maia [produtor e, hoje, colaborador da Rádio] insistiu pra eu abrir. Desde então não fechamos mais. A partir daí a gente foi estabelecendo metas: mais 24h, 48h, 72h… e já chegamos em um ano. Nesse tempo várias pessoas foram se envolvendo e se disponibilizando a manter a rádio como um espaço de acolhimento e troca”, lembra.

Acolhimento não só para o público: desde que surgiu, a Cafuné virou casa de vários artistas, locais e conhecidos nacionalmente. O Carnaval, por exemplo, contou com três salas simultâneas para dar conta de tantas talentos que não queriam deixar a folia passar em branco: a Casa Cafuné, com a programação principal; a Casa Cafulove, com DJs, blocos carnavalescos tradicionais e atividades para crianças; e a Casa Carnafurock, com repertório voltado para amantes do rock’n roll.

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BNegão também já confirmou presença
Projeto brasiliense conquistou fãs pelo país
Rádio Cafuné
Calendário do projeto tem programação para todos os gostos!
Letícia Fialho
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Reprodução
Rádio Cafuné
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Calendário do projeto tem programação para todos os gostos!
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Calendário do projeto tem programação para todos os gostos!

Programação

A rádio funciona pelo Zoom, com uma agenda do Google vinculada ao site, de modo que os próprios usuários alimentam a programação audiovisual, com a ajuda de uma equipe com cerca de 30 voluntários. Tem de tudo: apresentação de DJs, pessoas compartilhando suas melhores (ou mais estranhas) playlists, lançamentos de álbuns, além de programas fixos como o Cafunelas — atividade que acontece sempre às quintas-feiras das 20h às 22h e que tem como o foco o protagonismo de mulheres, incluindo LGTBQIAP+.

“O Cafunelas é um espaço de troca, de informações sobre temas e desconstrução das atitudes do dia a dia pelo qual as mulheres estão cansadas de passar. As atividades são organizadas por um grupo de dez mulheres, e nós damos prioridade à participação feminina, seja das convidadas, seja das pessoas que participam como ouvintes no programa”, explica a DJ Laine D’Olinda (Denguin), uma das responsáveis pelo Cafunelas.

“A gente começou a perceber que as mulheres tinham pouco espaço de fala na rádio e começaram a aparecer situações de assédio. Com isso, além do Núcleo Cafunelas, criamos um canal de denúncia e também passamos a incentivar os membros da organização a colaborarem com o debate. Alguns até chegaram a fazer um grupo para discutir masculinidades”, conta.

Para além de musicalidades e debates, o calendário também conta com versões virtuais de festas famosas em Brasília, como a Odara, exibição de filmes e até o Karaokaus — atração em que o público é convidado a abrir o microfone do zoom e cantar junto. “É um caos, de fato, mas todo mundo se diverte”, comenta o produtor cultural Marcelo Barki, que se juntou ao núcleo de hosts da rádio ainda no começo.

Tudo isso com a possibilidade do publico interagir com pessoas por meio do chat. “Tem literalmente de tudo: sarau de poesia, competição pra adivinhar temas de novelas, ‘cafutinder’, programa pra galera se conhecer melhor e paquerar, etc”, conta.

Marcelo Barki, produtor cultural

A atividades são abertas ao público, sem distinção, mas seguem normas que o usuário precisa concordar antes de ingressar nas salas. Entre elas, está seguir a classificação indicativa, que das 7h às 22h é livre para todas as idades (menores só acompanhados dos responsáveis), e das 22h às 7h é exclusiva para maiores de 18 anos. A organização também adverte que intolerância, preconceito e qualquer tipo de assédio e importunação sexual não são aceitos e incentiva o público a denunciar eventuais casos.

Espaço de acolhimento

Em um momento de retomada de eventos, em que até as lives com grandes artistas nacionais perderam a força, é difícil entrar nas salas da Cafuné e não se surpreender com a quantidade de pessoas que passam o dia on-line, antenadas na programação, enquanto lavam louça, trabalham e arrumam a casa, por exemplo. Marcelo, no entanto, tem uma explicação. “Virou um espaço saudável, de trocas enriquecedoras, que tem dado um suporte emocional e psicológico pra muita gente”, diz.

Ele conta que já teve até gente que tatuou o símbolo da rádio no corpo. “Pessoas que nem são próximas à organização”, ressalta. Não à toa, o projeto sobrevive de doações e voluntariado. “Virou a paixão de muita gente. Recebemos bastante depoimentos de pessoas dizendo o quanto a rádio tem sido importante no isolamento e até além, para questões extra-isolamento. Somos uma rede mesmo. De pessoas unidas através da música e do afeto”.

Cafufest

O aniversário de 1 ano da rádio será comemorado como o Cafufest, evento on-line que reunirá mais de 100 atrações se apresentando em cerca de 50 projetos, durante 10 dias, 24 horas por dia, em até 3 salas simultâneas do Zoom.

Entre os destaques está o rapper carioca BNegão, o guitarrista Fábio Trummer, da banda pernambucana Eddie, a cantora brasiliense Letícia Fialho, além de artistas do Canadá, Estados Unidos, México, Cuba, Suécia e França. “Também teremos poesia, tarô, horóscopo, exibição de filmes, rodas de conversa, brincadeiras e muito amor”, acrescenta Marcelo.

A programação completa do evento será divulgada esta semana no Instagram da Rádio – clique para ser redirecionado.

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