O que é Discord, rede social que entrou na mira da Justiça brasileira
O Discord enfrenta um impasse com o governo brasileiro após a morte de uma adolescente de 13 anos no Mato Grosso do Sul

O Discord é uma plataforma de comunicação que permite aos usuários jogar enquanto conversam por meio de recursos de voz, vídeo e texto. O serviço entrou na mira do governo federal após uma adolescente de 13 anos, no Mato Grosso do Sul, ter sido exposta a conteúdos relacionados à automutilação e ao suicídio dentro da plataforma. A morte da jovem teria sido transmitida por usuários em um canal privado.
Mas como surgiu o Discord? A plataforma nasceu com o objetivo de solucionar um problema enfrentado pelos próprios fundadores: conversar com amigos durante jogos on-line.
Em 2012, Jason Citron fundou um estúdio chamado Phoenix Guild com a proposta de aproximar pessoas por meio dos jogos. Em 2013, Stanislav Vishnevskiy se juntou a ele e os dois passaram a trabalhar juntos no desenvolvimento de um jogo para dispositivos móveis.
A dupla gostava de jogar on-line, mas enfrentava dificuldades para encontrar uma ferramenta de comunicação que funcionasse de forma confiável durante as partidas.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles EntretenimentoA experiência fez com que eles identificassem uma oportunidade e, em 2015, lançassem a primeira versão do Discord, inicialmente como um aplicativo de bate-papo voltado para jogadores, disponível para computadores e dispositivos móveis.
Nos anos seguintes, a plataforma ampliou os recursos e passou a oferecer ferramentas de comunicação por texto, voz e vídeo, permitindo que os usuários interagissem sem precisar deixar os jogos.
O serviço se expandiu rapidamente e deixou de ser utilizado apenas pela comunidade gamer, passando a reunir grupos e comunidades com interesses diversos. Atualmente, o Discord conta com mais de 90 milhões de usuários ativos diariamente em diferentes países.
Briga com a Justiça brasileira
Atualmente, o Discord enfrenta medidas do governo brasileiro após a morte da adolescente. O caso levou a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, a defender o bloqueio da plataforma no país.
Na sequência, a Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou medidas contra a empresa, enquanto a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão dos recursos de vídeo e das transmissões ao vivo da plataforma.
Entre as irregularidades apontadas pelas autoridades estão falhas nos mecanismos de verificação da idade dos usuários e na identificação e remoção de conteúdos considerados nocivos a crianças e adolescentes.
Nesta quarta-feira (26/8), o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, afirmou que pediu uma indenização de R$ 500 milhões ao Discord em uma ação de dano moral coletivo. O órgão também decidiu entrar com uma ação civil pública na Justiça Federal contra a plataforma.
A AGU também pede que a Justiça obrigue a empresa a adequar imediatamente seus mecanismos de segurança, verificação de idade, supervisão parental, moderação de conteúdo e comunicação às exigências previstas na legislação brasileira — sob pena de multa diária de R$ 500 mil, que passa a ser cobrada quando a Justiça acatar o pedido.
Posicionamento do Discord
Em nota, a plataforma criticou a postura do governo federal: “A ação judicial da AGU é desproporcional e não reflete de forma precisa a abordagem do Discord em relação à segurança e ao cumprimento da legislação brasileira. Acreditamos que há um caminho melhor e seguimos comprometidos em trabalhar com as autoridades competentes para chegar a uma solução que amplie a segurança na plataforma e, ao mesmo tempo, permita que os brasileiros continuem utilizando o Discord”.









