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No mês da Consciência Negra, a Caixa Cultural de Brasília apresenta um projeto musical para honrar o gênero musical mais conhecido do Brasil. Com samba no protagonismo, “Agô – Samba e Ancestralidade” preenche a programação do espaço de quarta (15/11) a segunda (20/11).

Quem abre o projeto é o cantor e compositor Nei Lopes. O carioca, de 75 anos, sobe ao palco a partir das 20h, na quarta (15/11), para apresentar parcerias criadas ao lado de Wilson Moreira e grandes nomes do samba do Rio de Janeiro ao longo de uma carreira de mais de 40 anos.

Autor de mais de 12 álbuns dedicados ao gênero, Lopes é também pesquisador e autor de inúmeros livros sobre samba e cultura afrobrasileira. A bagagem cultural do doutor do samba e as pesquisas empreendidas ao longo da vida serão apresentadas na palestra “Sambas: Histórias de Terreiros”, a partir das 18h de quarta (15/11). Mais tarde, às 20h, o carioca sobe ao palco para cantar.

Leia entrevista com Nei Lopes:

O samba é considerado o mais brasileiro dos ritmos musicais. No entanto, sabemos que o gênero guarda uma história de resistência cultural muito grande. Como foi possível o samba resistir a todas as barreiras impostas?

O samba resistiu e continua resistindo porque tem uma verdade muito grande. Ele se renova a cada momento. Como prova, estão os gêneros e subgêneros derivados dele.

Outras contribuições culturais de matriz africana (música, gastronomia e literatura) são significativas na cultura brasileira sem que os negros recebam o devido crédito por seus feitos. Por que isso acontece?

Porque o Brasil, desde sempre, conserva o sonho de ser um país europeizado ou, agora, absolutamente enquadrado no contexto da cultura transnacionalizada, essa globalização de mão única. A sociedade brasileira, salvo as honrosas exceções que conhecemos, tem vergonha do sangue africano que corre em suas veias.  

É possível falar de samba sem tocar no assunto da ancestralidade africana?

Pode-se falar de samba de várias formas, abordando, inclusive, a desafricanização que lhe é imposta.

O senhor é advogado, compositor, cantor e escritor. Como concilia tantas profissões?

Meu trabalho é como autor de canções, principalmente no gênero samba, e de escritor, escrevendo sobre meus conhecimentos e minha vivência de afrobrasileiro e afrocarioca. A advocacia já não pratico há muito tempo, mas o Direito me ajuda bastante a conduzir minha vida como autor. E quanto a “cantor”, reservo essa qualificação para os intérpretes que têm gravado a minha obra, que são muitos. Embora as cantoras estejam em maior número.

“Agô – Samba e Ancestralidade”
De 15 a 20 de novembro, no Teatro da CAIXA Cultural Brasília (SBS Quadra 4 Lotes 3/4). Quarta a sábado, às 20h; domingo, às 19h e segunda-feira, às 20h. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Programação completa no site da Caixa. Não recomendado para menores de 12 anos.

 

 

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