Luiz Fernando Carvalho grava no interior de Alagoas cenas de "Velho Chico". Veja imagens de bastidores
Na próxima novela das 21h da Globo, diretor reencontra o autor Benedito Ruy Barbosa e atores que lhe são caros, Rodrigo Santoro entre eles.

A próxima novela das 21h da Globo, “Velho Chico” marca o reencontro do diretor Luiz Fernando Carvalho com diversos artistas que lhe são muito caros. A começar pelo autor do folhetim, Benedito Ruy Barbosa. Juntos, já trabalharam em “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Esperança” e “Meu Pedacinho de Chão”. O diretor volta a se encontrar ainda com o ator Rodrigo Santoro, com quem trabalhou em projetos memoráveis como “Hoje É Dia de Maria”.
Apesar de preso às gravações da série americana “Westworld”, Santoro ganhou da HBO uma liberação de dois meses, o que possibilitou participar da novela. Assim, ele estará apenas nos primeiros 24 capítulos, quando a história se passa no fim dos anos 1960. Ele vive Afrânio, filho do coronel Jacinto (Tarcísio Meira), homem rico e arrogante, que controla quase tudo na fictícia Grotas de São Francisco.
Com a morte do pai, logo no primeiro episódio, Afrânio é obrigado a deixar as delícias de Salvador e assumir a fazenda — não apenas financeiramente, mas também o seu antiquado modus operandi, ou seja, um regime quase escravagista.
Afrânio herda também uma rivalidade de sua família com a do Capitão Rosa (Rodrigo Lombardi), homem de conduta humanista. E, no meio das diferenças, surge o Rio São Francisco, cuja sobrevivência não é valorizada pelo clã de Afrânio, ao contrário de seus rivais.
Benedito trata desse assunto como um misto de melodrama e lirismo. ‘Velho Chico’ vai conversar com o gênero humano. Vejo nesse texto as características de um clássico, em que o barroco se une à atualidade, época da segunda fase da novela
Luiz Fernando Carvalho
Arquiteto de formação, mas profundo conhecedor da literatura, Carvalho tornou-se o ourives de um estilo peculiar e precioso. Por causa disso, decidiu que toda essa primeira fase seria gravada em áreas verdadeiras, o que o levou a filmar em Mossoró (RN), Delmiro Gouveia (AL) e em um portentoso casarão histórico, do século 18, com suas palmeiras imperiais, na ilha de Cajaíba, próxima ao município baiano de São Francisco do Conde.
Volta no tempo
Em todos os lugares, a equipe técnica da Globo recriou os detalhes perdidos com o tempo, permitindo que os atores fizessem uma espécie de viagem no tempo. “É possível se sentir mesmo naquela época”, conta Julio Machado, o capataz Clemente. “E, como Luiz gosta de improvisar a qualquer instante, é preciso estarmos sempre preparados, dentro do personagem”, completa Selma Egrei, que vive Encarnação, mãe de Afrânio.
De fato, a mente do diretor está em eterna ebulição criativa, vislumbrando na hora cenas que não constam no roteiro. Isso só é possível porque ele domina totalmente o enredo. “A novela tem elementos shakespearianos, pois Afrânio é como Hamlet, o príncipe dividido entre ser ou não o herdeiro do pai, além de se apaixonar por uma mulher que seria sua Ofélia”, comenta. “Na primeira fase, a novela é um retrato idílico do que perdemos e, na segunda, o que sobrou depois de tanta agressão ao rio.”

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