Adaptações de livros para o streaming impulsionam vendas de obras

Streamings como Netflix e Prime Video andam investindo em adaptações de livros, que costumam ser um total sucesso de audiência

atualizado 24/06/2022 18:51

Heartstopper estreou na Netflix e foi amado pelos assinantes do streaming Divulgação

Não é incomum ver um livro, seja ele famoso ou não, sendo adaptado para os cinemas. Desde o início da pandemia da Covid-19, no entanto, ficou cada vez mais natural que as obras fossem captadas por plataformas de streaming que tentam agradar o público com filmes e séries que dão vida aos personagens e histórias que os leitores já acompanharam na obra de um escritor querido.

Com as plataformas de streaming ganhando cada vez mais força, principalmente após o período de isolamento social causado pela pandemia, as empresas também trataram de entrar para o mundo das adaptações. Com isso, é perceptível um crescimento na venda de livros que serão ou já foram adaptados para as plataformas.

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Deixo aqui alguns exemplos: o Deadline anunciou recentemente que o livro Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid, vai virar filme na Netflix, líder de produções autorais no mundo dos streamings. Dados coletados pelo Metrópoles no site da Amazon, uma das principais plataformas de venda, mostra que o best-seller é o 10º mais vendido na aba de livros de sexta-feira (24/6).

O mesmo acontece com a trilogia O Verão que Mudou a Minha Vida, de Jenny Han, mesma escritora de Para Todos os Garotos que já Amei — trilogia de sucesso adaptada pela Netflix. A Amazon Prime Video estreou na semana passada a série baseada nos três livros, que estão em 13º, 36º e 52ª lugar na lista de livros mais vendidos da mesma empresa.

“A Prime é muito interessante, é um streaming que tem por trás a principal venda de livros. Então eles ganham também nesse aspecto, porque você consegue vender o livro da série. O Verão que Mudou a Minha Vida é uma adaptação da autora da Netflix. É uma adaptação da obra de streaming que chama a atenção do público de um outro serviço de streaming para você e, além de tudo, já faz a promoção para vender o box da trilogia”, pontua Pedro Curi, coordenador do curso de Cinema e Audiovisual da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Rio.

“A gente está falando de um momento que a briga por atenção é muito grande. Então pegar Para Todos os Garotos que Já Amei atraiu muita gente, as pessoas leram os livros, conheceram a autora, e acabaram esperando que fizessem essa adaptação [de O Verão que Mudou a Minha Vida]”, completa ele.

Produções como Heartstopper (Netflix), Por Lugar Incríveis (Netflix), Amor & Gelato (Netflix), Daisy Jones and The Six: Uma História de Amor e Música (Prime Video) e Torto Arado (HBO Max) também elencam a lista de livros nas 100 obras mais vendidas da Amazon.

Frequência de adaptações

Mesmo que a Netflix ainda seja a líder quando o assunto é plataforma de streaming, Pedro Curi lembra que a marca se consagrou como um canal. Ela, no entanto, seguiu um caminho diferente de outras plataformas:

“A Netflix é um serviço de streaming. Ela não tem como se valer de nenhuma outra plataforma. Se ela perde esse lugar de protagonismo do público, de ser essa marca mais lembrada, ela não tem nada. Diferente da Prime, da HBO, da Paramount, que são braços de empresas.”

A Netflix tem essa agilidade, mais uma comunicação muito boa, mas ela já se consagrou como canal. Você pode não ter série sendo lançada, mas você sabe que ela vai ser lançada. A Netflix lança uma série e você continua consumindo até o próximo lançamento. As pessoas não pensam ‘vou assistir a Prime’.

Pedro Curi

O coordenador ainda afirmou que a Prime Video trabalha para se desvincular da Amazon, e que a estreia de O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder, adaptação da obra de J.R.R Tolkien que estreia no streaming em 2 de setembro, pode ser a grande jogada da gigante para estrear no mundo das obras autorais:

“Os Anéis do Poder é uma grande aposta e muito arriscada. Existe uma preocupação grande dentro da comunidade de fãs que é sobre a qualidade da Prime, são séries que pecam um pouco em direção de arte, de imagem. Acho que a partir daí eles vão se firmar nesse seguimento. Já arriscaram em A Roda do Tempo, mas as pessoas ainda reclamaram de efeitos.”

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