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Romário tenta "legendar" Fernanda Gentil e expõe mal do futebol, diz Marília Ruiz

Polêmica entre Romário e Fernanda Gentil na Copa reacende debate sobre machismo no jornalismo

16/06/2026 22:41, atualizado 16/06/2026 22:42
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Reprodução/Intermet.
Fernanda Gentil entrevistando Romário na Copa do Mundo 2026 - Metrópoles

A repercussão da polêmica envolvendo a jornalista Fernanda Gentil e o ex-jogador de futebol Romário reacendeu um debate antigo: o machismo enfrentado diariamente por mulheres que trabalham na cobertura esportiva no Brasil.

Logo após a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, Gentil questionou Romário se o Brasil terminava a partida com “gosto de derrota” por conta do empate. Ao que ele respondeu: “Fernanda, empatar no primeiro jogo de uma Copa do Mundo contra uma seleção de Marrocos, quem não conhece muito de futebol vai ter esse pensamento que você tem”.

O episódio se soma a uma longa lista de situações em que jornalistas esportivas foram alvo de comentários sexistas, ataques misóginos, desvalorização profissional e até episódios de assédio durante transmissões ao vivo.

Assista:

A apresentadora e jornalista Marília Ruiz avalia que o comentário de Romário “faz parte desse universo em que as coisas que as mulheres falam no futebol, ou elas são tratadas de uma forma menor, ou pior, elas são ignoradas”.

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Repórter Jéssica Dias, da ESPN, é assediada por torcedor do Flamengo durante transmissão ao vivo
Repórter Verônica Dalcanal
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Fernanda Gentil é surpreendida com abordagem policial e motivo choca
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Fernanda Gentil é surpreendida com abordagem policial e motivo choca

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Na avaliação da jornalista, embora o trecho que viralizou esteja editado e não mostre o início da conversa, bastaria que Romário tivesse prestado mais atenção ao comentário de Fernanda, que reproduzia a percepção de outras pessoas, para responder de forma mais adequada.

“A verdade é que o futebol, assim como todos os lugares da sociedade, é um lugar em que os homens gostam de explicar para as mulheres o jeito que elas deveriam pensar, o que elas deveriam falar, e muitas vezes eles explicam o que elas acabaram de explicar. Isso tem nome, né?”, avalia Ruiz.

“De todas as formas de machismo estrutural, tem mansplaining, tem mansinterrupting, tem todas as formas em que o homem no mercado de trabalho e na vida normal acha no direito de legendar o pensamento feminino”, disse.

Marília também contou ao Metrópoles que convive com esse machismo estrutural desde o primeiro dia de trabalho. Ela acredita que “os homens se sentem incomodados, muitas vezes, quando discordam de comentários feitos por mulheres que estão no lugar de fala e têm propriedade para falar sobre o assunto.”

Jornalista, apresentadora, comentarista esportiva e colunista, ela segue sendo alvo de ataques nas redes sociais. “É lamentável, mas é um retrato da sociedade que gosta. Gosta de chamar o incômodo da mulher de mimimi”, lamentou.

Por outro lado, a apresentadora avalia que, “quando o movimento ganha a sororidade de outras mulheres, ele se transforma num barulho incômodo”. Segundo ela, essa mobilização coletiva passa a ser vista por quem se opõe à busca por equidade como um “mimimi”.

Casos de machismo na cobertura esportiva no Brasil

Renata Silveira

Pioneira ao se tornar a primeira mulher a narrar uma Copa do Mundo na televisão brasileira, em 2022, Renata Silveira também se tornou um dos principais alvos de ataques machistas nas redes sociais. Até hoje, recebe críticas que frequentemente extrapolam seu trabalho e miram sua presença na função.

Renata Mendonça

Em dezembro de 2025, a jornalista Renata Mendonça também viveu um episódio de misoginia. Durante uma reunião em que o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), apresentava as finanças do clube, a profissional teve sua aparência física atacada e seu trabalho questionado após cobrar mais investimentos e melhorias estruturais para o futebol feminino.

Nathália Freitas

Outro caso ocorreu com Nathália Freitas. Durante uma entrevista coletiva após a partida entre Atlético-GO e Goianésia, pelo Campeonato Goiano, o presidente do clube, Adson Batista, insinuou que a jornalista havia elogiado um jogador apenas por achá-lo “bonitinho”, em um comentário considerado sexista.

Assediadas ao vivo

Além da desvalorização profissional e dos comentários machistas, jornalistas esportivas também convivem com casos de importunação sexual durante coberturas ao vivo.

Nos arredores do Maracanã, Jéssica Dias foi beijada no rosto sem consentimento por um torcedor do Flamengo durante uma entrada ao vivo. O agressor foi contido por colegas, preso em flagrante e teve a prisão preventiva decretada em audiência de custódia.

Fora do universo do futebol, Verônica Dalcanal também passou por uma situação semelhante. Em Paris, durante a cobertura dos Jogos Olímpicos de 2024, a jornalista sofreu importunação sexual por parte de três homens enquanto fazia uma transmissão ao vivo.

Casos emblemáticos

Casos como o vivido por Fernanda Gentil também motivaram a criação de iniciativas de combate ao machismo no jornalismo esportivo. Uma das mais conhecidas é o movimento #DeixaElaTrabalhar, idealizado por Bárbara Coelho, Ana Thaís Matos, Alana Ambrósio, Ana Abreu e Fernanda Frazão.

Lançada em março de 2018 por um grupo de mais de 50 jornalistas, a campanha surgiu como uma resposta aos recorrentes episódios de machismo e assédio enfrentados por profissionais da área. Embora não esteja mais ativa, a iniciativa se consolidou como um manifesto contra a violência de gênero nos estádios, nas redações e em qualquer outro espaço da profissão.

O movimento ganhou repercussão ao reunir relatos que evidenciaram a dimensão do problema, como o da repórter Bruna Dealtry, beijada à força por um torcedor durante uma transmissão ao vivo, e o da jornalista Júlia Guimarães, assediada enquanto cobria a Copa do Mundo da Rússia.

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