Filme de Recife ganha Prêmio do Júri no Festival de Locarno, na Suíça
A Margem do Rio, de Recife (PE), aborda questões de identidade LGBTQIA+, preconceito e religião em uma trama tensa e dramática

O longa A Margem do Rio foi um dos premiados no prestigiado Festival de Locarno, na Suíça, e levou de volta a Recife (PE) o Prêmio Especial do Júri. Exibida pela 1ª vez nesta semana, a produção foi a única representante brasileira na mostra competitiva.
Descrito como um “horror erótico e mágico”, o filme é dirigido por Matheus Farias e Enock Carvalho, que estreiam como diretores de longa-metragens. Segundo os cineastas, o reconhecimento da trama ambientada na capital pernambucana mostra mais uma vez a potência do cinema do Nordeste no circuito internacional e a força de criadores LGBTQIA+.
“Nós, pessoas LGBT, sempre vivemos da profanação e da desobediência. Se hoje podemos existir em público, em alguns lugares e sob algumas condições, é porque alguém desobedeceu antes de nós e provavelmente pagou um preço por isso. Então seja gay, seja queer, desobedeça, profane. Não acredite que, se você se comportar bem, o sistema vai te aceitar. Não vai. Estamos sempre à margem“, citou Matheus Farias ao receber o prêmio.

A Margem do Rio é estrelado por Ítalo Martins, ator que esteve em O Agente Secreto e Guerreiros do Sol e por Caique Copque, que estrelou o filme brasiliense Mapas, multipremiado no 30º Cine PE.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Entretenimento“A gente sabe que fazer cinema no nosso país, no Nordeste, é algo muito difícil. A Margem do Rio é um trabalho que me deixa muito orgulhoso, que me faz pensar o quão maravilhosos e criativos nós somos”, celebra Ítalo Martins.
O enredo traz a conexão de dois jovens que vivem às margens da sociedade pernambucana e que juntos precisam sobreviver a uma espiral de violência que ameaça os jovens.
“Uma jornada cheia de paciência, solidariedade, atração, violência, corpos, sexo. Um horror erótico e mágico enraizado na tradição política do cinema brasileiro. Uma energia pulsante que só um primeiro longa pode ter”, justificou o Festival de Locarno ao premiar o filme.



