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Artes Plásticas

2015 em 10 mostras: as melhores exposições do ano segundo o "Metrópoles"

A temporada foi marcada por retrospectivas de artistas consagrados e espaços consolidados para jovens realizadores brasilienses

Repórter de Artes Plásticas26/12/2015 06:00, atualizado 26/12/2015 17:16
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Divulgação
2015 em 10 mostras: as melhores exposições do ano segundo o “Metrópoles”

Polarizado entre grandes espaços institucionais e pequenas galerias independentes, o cenário brasiliense das artes plásticas conseguiu atingir um interessante equilíbrio nesta temporada 2015.

O Museu Nacional Honestino Guimarães abrigou aquela mostra que, se não foi a mais rica deste ano, certamente foi a mais significativa dessa dinâmica. Criada para celebrar a cena da cidade, “ondeandaaonda” foi um panorama que levou para dentro dessa instituição pública, estrategicamente inserida na rota do turismo cívico, alguns dos mais representativos artistas contemporâneos brasilienses, representados pelas galerias independentes que pontuam a capital federal e esquentam o dia a dia das artes plásticas locais.

Retrospectivas de artistas consagrados como o russo Wassily Kandinsky e o gaúcho Iberê Camargo (foto no alto), ambos no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), cumpriram seu papel de atrair mídia e milhares de visitantes, apresentando pontos de inflexão no comecinho e no finzinho do ano. Enquanto nomes menos óbvios e (ainda) mais extremos, como o mineiro Farnese de Andrade e o cearense Darcílio Lima, ambos na Caixa Cultural, emprestaram o necessário contraponto.

Confira, a seguir, os dez maiores destaques do calendário brasiliense de exposições neste 2015, segundo Bernardo Scartezini e Felipe Moraes, repórteres do Metrópoles:

"Improvisação n 11": óleo sobre tela de Wassily Kandinsky *Divulgação*
“Improvisação n 11”: óleo sobre tela de Wassily Kandinsky. Foto: Divulgação

2015 começou no embalo de Wassily Kandinsky (1966-1944). Uma larga retrospectiva do pintor modernista russo movimentou o CCBB entre novembro do ano anterior e a primeira quinzena de janeiro. “Kandinsky – Tudo Começa num Ponto” flagrava o artista ao longo das duas primeiras décadas do século 20, rompendo com o figurativismo e abraçando o abstracionismo. Para contextualizar esse movimento, obras de contemporâneos como Gabriele Münter e Apollinary Vasnetsov.

Assemblage de 1966: Farnese de Andrade *Tadeu Fessel/Divulgação*
Assemblage de 1966: Farnese de Andrade Foto: Tadeu Fessel/Divulgação

Também entre o final de 2014 e as primeiras semanas de 2015, “Farnese de Andrade – Arqueologia Espiritual” levava às galerias Piccola da Caixa Cultural um dos mais desconcertantes e idiossincráticos artistas brasileiros. Mineiro de Araguari, Farnese (1926-1986) cortejava a herança do barroco e a ostensiva religiosidade de sua terra ao erguer em oratórios pequenas peças pagãs a partir de santos de gesso e bonecos de madeira, material catado em pregos e lixões, equilibrando-se entre o sagrado e o profano.

Detalhe de "A Morte Chega Cedo": instalação de Raquel Nava *Divulgação*
Detalhe de “A Morte Chega Cedo” (2015): instalação de Raquel Nava. Foto: Divulgação

Raquel Nava abriu a temporada 2015 da Alfinete com “A Morte Chega Cedo”. Espalhando-se pela galeria da 116 Norte, a artista brasiliense montou um ambiente perturbador a partir de animais taxidermizados. Mais tarde, em outubro, ela confirmaria sua força e versatilidade ao apresentar a mostra “Passeio Selvagem” na Referência Galeria de Arte, um recorte de sua produção mais recente, entre pintura, desenho, fotografia e objetos. Leia mais sobre Raquel aqui.

"Jonas" (2015): vídeo-instalação de Wagner Barja *Peninha/Divulgação*
“Jonas” (2015): instalação de Wagner Barja. Foto: Peninha/Divulgação

Um dos maiores agitadores da cena cultural brasiliense, à frente do Museu Nacional Honestino Guimarães desde sua fundação, o candango-carioca Wagner Barja levou em fevereiro ao CCBB uma vasta retrospectiva de sua trajetória pessoal. “Experiência Tumulto III” reunia três décadas de produção artística. Como maior destaque da mostra, a inédita instalação “Jonas” ocupava toda uma sala. Construída com peças de metal moldadas a partir de uma vértebra de baleia, a grandiosa obra também se valia de som e vídeo para emular poeticamente o ventre do animal.

Instalação de Ananda Giuliani *Divulgação*
Detalhe da mostra “DES tudo”: instalação de Ananda Giuliani. Foto: Divulgação

Cinco jovens artistas da cidade, todos recém-formados pela Universidade de Brasília (UnB), apresentaram em março a coletiva “DES tudo” na Galeria Fayga Ostrower da Funarte. Ananda Giuliani, Isadora Dalle, Samantha Canovas, Marina Mestrinho e André Vechi estabeleceram ali uma linguagem em comum, conciliando técnicas diversas e trabalhando com materiais aparentemente frágeis (tecidos, papel, fios de cobre) numa poética minimalista das pequenas coisas cotidianas.

No mês de aniversário da cidade, em abril, Wagner Barja abriu as portas do Museu Nacional Honestino Guimarães para “ondeandaaonda”. Bolada para celebrar o atual momento das artes plásticas brasilienses, a mostra funcionou como panorama dos espaços independentes que proliferaram pelo Distrito Federal nos últimos anos – como Alfinete, Elefante, Ponto e Objeto Encontrado. Assim, a exposição levou para dentro de um dos cartões postais da Esplanada alguns dos mais relevantes artistas locais. Destaque para a sala dedicada à vídeo-instalação “O Silêncio de Napalm” (acima), de Márcio H. Mota. Leia mais sobre Márcio aqui.

Detalhe de painel de Daniel Senise
Detalhe de painel de Daniel Senise

Um dos principais colecionadores brasilienses, o advogado Sérgio Carvalho abriu parte de seu acervo em “Vértice”. Espalhando-se por três andares do Museu dos Correios, entre junho e agosto, a exposição contou com experientes curadoras: Marília Panitz, Marília Mokarzel e Polyanna Morgana. Cada uma delas ocupou-se de uma diferente perspectiva sobre uma coleção de arte contemporânea que reúne tanto autores já consagrados (como Daniel Senise, Manuel Carneiro e Nelson Leirner) quanto jovens realizadores brasilienses (como Raquel Nava, João Angelini e André Santangelo).

Detalhe de desenho de Darcílio LIma: bico de pena sobre papel *Divulgação*
Detalhe de desenho de Darcílio Lima: bico de pena sobre papel. Foto: Divulgação

Figura ainda a ser desvendada e devidamente inserida na história das artes nacionais, o cearense Darcílio Lima (1944-1991) pôde assombrar o público brasiliense nesta temporada. Entre julho e agosto, a retrospectiva “Darcílio Lima – Um Universo Fantástico” ocupou as galerias Piccola da Caixa Cultural, um espaço maldito frequentemente dedicado a temas e realizadores controversos. Ali a mostra reunia desenhos de um artista marcado pelo surrealismo, pela religiosidade afro-brasileira e por um sádico erotismo, trazendo personagens impossíveis varados por dor e êxtase.

"A Idiota" (1991): óleo sobre tela de Iberê Camargo *Divulgação*
“A Idiota” (1991): óleo sobre tela de Iberê Camargo. Foto: Divulgação

Em cartaz no CCBB até 11 de janeiro de 2016, a mostra “Iberê Camargo – Um Trágico nos Trópicos” pode ser entendida como o grande evento das artes plásticas em Brasília nos últimos doze meses. Reunida para marcar o centenário de nascimento do revolucionário pintor gaúcho (1914-1994), esta retrospectiva já tinha passado por Rio de Janeiro e São Paulo antes de chegar por aqui. Valeu a espera. Ao longo de sua visitação, descortina-se o furioso e soturno legado de um dos mais singulares e fascinantes artistas do século 20. Leia mais sobre Iberê aqui.