Cobra Kai e mais: entenda como a Netflix tem salvado filmes e séries

O Metrópoles foi atrás de especialistas para entender como o streaming tem resgatado alguns títulos e os transformado em verdadeiros hits

atualizado 16/10/2020 21:24

Cobra Kai NetflixNetflix/Divulgação

Renovada para a terceira e quarta temporada, Cobra Kai se tornou um dos grandes sucessos no país nas últimas semanas. Lançada em maio de 2018 no serviço premium do YouTube, a série sequência do clássico Karatê Kid se popularizou ao ser disponibilizada pela Netflix, que comprou seus direitos em 2019.

O fenômeno, no entanto, não foi ao acaso e vai de encontro com uma estratégia antiga da principal plataforma de streaming: resgatar títulos cancelados ou até então “escondidos” em outros serviços. Nos últimos anos, vimos produções como Lúcifer, The Killing e Designated Survivor serem resgatadas.

“Parece existir um vínculo dos streamings, em especial da Netflix, com o nostálgico. A Netflix, está se tornando, de fato, uma grande plataforma que lida com elementos saudosistas, desde Stranger Things. Isso tem se tornado um grande produto. Uma estratégia de comprar e dar um boom nessas obras”, explica José Ricardo Miranda, professor do curso de Cinema e Audiovisual do Centro Universitário UNA.

Até então “desconhecida” do grande público, Cobra Kai estreou na Netflix em 28 de agosto e rapidamente entrou para a lista de produções mais assistidas da plataforma. Antes do YouTube Red, a série conta com duas temporadas, mas já teve sua sequência confirmada para janeiro de 2021.

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Outra produção, que fracassou na bilheteria, mas esteve entre os títulos mais assistidos da Netflix nas últimas semanas foi Blade Runner 2049. O longa do diretor Denis Villeneuve, de 2017, arrecadou apenas US$ 259,2 milhões nos cinemas – a trama continua a história de Blade Runner, clássico de 1982.

“Lembra o fenômeno das locadoras ou de filmes que tiveram sucesso em países específicos. O que esses canais de streaming tem feito é facilitar a distribuição para um público que já é pagante, e certamente esse produto vai ser ‘bem aceito’ pelos assinantes. O Blade Runner foi um filme que teve problemas na época e acabou ganhando um status “cult” com o passar do tempo – algo parecido com este novo título”, analisa o professor.

No entanto, o especialista acredita que o sucesso de títulos esquecidos deve influenciar em projetos complementares. “Acho que a dinâmica dos streamings vai estar cada vez mais conciliada com as das salas de cinemas, seja pensando em Oscar ou em distribuição, especialmente se o estúdio tiver seu próprio streaming, o que se acelerou com a pandemia”, completa José Ricardo Miranda.

Streamings no Oscar

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas revogou a regra que obrigava os filmes a ficarem em exibição por sete dias nos cinemas. Com isso, longas que estrearam no streaming, em serviços on demand ou drive-in poderão concorrer ao Oscar 2021.

Para o professor do Departamento de Cinema da Universidade de São Paulo (USP), Roberto Franco, o streaming deve ganhar ainda mais protagonismo. “Corremos o risco de ver a exibição cinematográfica se tornar uma janela acessória do streaming, com os filmes sendo lançados simultaneamente nas duas mídias. Me parece que o resultado da pandemia será a consolidação do streaming como principal janela e financiador da produção audiovisual”, conclui.

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