Vídeo: “Os melhores filmes ainda serão feitos”, afirma Neville d’Almeida

Em entrevista ao Metrópoles, o cineasta disse acreditar que, em breve, viveremos uma nova “revolução cultural”

atualizado

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Entrevista com o cineasta Neville de Almeida
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Recordista de bilheteria desde os anos 1970 e dono de uma extensa filmografia, o cineasta Neville d’Almeida afirmou, em entrevista ao Metrópoles, acreditar que “os melhores filmes ainda serão feitos”. Em plena atividade aos 80 anos, Neville aposta que em breve viveremos uma “revolução cultural” e que o cinema brasileiro se tornará protagonista no cenário mundial.

“Eu acho que a maior novidade cinematográfica do mundo é o cinema brasileiro. Eles ficam inventando cinema coreano, cinema chinês, cinema iraniano, cinema não sei o quê. É o cinema brasileiro, chegou a nossa hora. E eu quero dizer uma frase que vai ser muito combatida e que todo mundo vai reclamar: os melhores filmes ainda não foram feitos. Esse é o desafio. Os melhores filmes estão aí para serem feitos”, disse (confira a partir de 49’50).

O cineasta, que lançou seus primeiros filmes durante governos militares, traçou paralelos entre as experiências políticas e sociais que fizeram emergir grandes nomes do cinema brasileiro durante os anos mais duros da ditadura e o atual cenário do país. “Esses momentos de conflito, de repressão tão forte como o que estamos vivendo hoje, também são os momentos propícios para as boas ideias aparecerem”, avaliou (40’20”).

“Quero lembrar que o Cinema Novo começou quando começou a ditadura. Os grandes filmes do Glauber [Rocha], por exemplo, foram feitos durante a ditadura militar”, apontou. (41’50”). “Houve solução. Acredito que a mesma coisa irá acontecer daqui a muito pouco tempo, e acredito que nós todos vamos ver. Acredito que nós todos vamos participar. Vai haver, então, uma coisa com muito mais liberdade. As novas tecnologias baratearam os meios de produção. Muito mais artistas podem aparecer, muito mais histórias, muito mais diretores.”

O diretor acrescentou que sonha com a “democratização dos meios de criação” por meio da evolução da tecnologia, enquanto criticou uma espécie de panelinha do audiovisual brasileiro. “Você liga a televisão, são eles; aí vai no navio, são eles; são sempre os mesmos. Nós vamos pulverizar tudo isso, generalizar, democratizar a criação, a invenção, a arte. E as pessoas, e as figuras, e os mestres, e as obras-primas, vão aparecer muito mais. E de todos os lugares, porque a arte está em todos os lugares. A criação está nas favelas e nos palácios. Essas coisas da barreira da classe social, com os novos meios, tendem a ser pulverizadas”, disse (47’10”).

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Neville apontou o atual sistema de financiamento e distribuição de filmes como uma maneira de cercear a sétima arte. “Naquele tempo [da ditadura], você fazia o filme e mandava para a censura. Hoje, você não faz [o filme]. A censura está nas comissões de seleção dos editais municipais, estaduais, federais; a censura está no distribuidor, no produtor, e inclusive nos festivais. ‘Eu não quero seu filme’, ‘seu filme é ruim, eu não gosto’; então, hoje, é a ‘ditadura do eu’. Quem é você? Você não é nada. Em um festival, eles selecionam, e já é um princípio de censura. Existe um exercício de poder absoluto, ridículo, totalmente ditatorial dentro do panorama do cinema brasileiro. Festival não é um negócio para difundir o cinema? Pois é”, criticou (28’22”). “Neville nunca ganhou um edital nos últimos 20 anos. Antes, não havia edital”, afirmou (1’30”).

Durante a entrevista, Neville relembrou momentos de sua carreira, falou dos bastidores das gravações de cenas que marcaram a história do cinema brasileiro e da parceria com grandes escritores e músicos ao longo de sua filmografia (14’20”). O cineasta também falou do futuro. Entre os próximos projetos, a gravação do filme O Anti-Nelson Rodrigues, com o músico Fiuk no papel principal (2’20”). Confira:

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