Rumo: diretores de Afronte produzem filme sobre cotas raciais na UnB

Projeto depende de financiamento coletivo on-line para sair do papel. A instituição brasiliense foi a primeira universidade federal do país a instituir o sistema, em 2003

Carol Matias/DivulgaçãoCarol Matias/Divulgação

atualizado 07/06/2019 11:38

Bruno Victor e Marcus Azevedo, diretores do curta Afronte (2017), preparam-se para um novo voo em 2019. Autores de um filme bastante representativo sobre o cotidiano de negros gays, premiado nos festivais de Brasília e Mix Brasil, os realizadores abriram financiamento coletivo on-line para produzir Rumo. Eles esperam arrecadar R$ 5 mil até 25 de junho, quando se encerra a campanha.

Trata-se, novamente, de uma doc-ficção em formato de curta-metragem. Desta vez, a proposta envolve refletir sobre as cotas raciais na Universidade de Brasília (UnB), a primeira instituição federal do país a instituir o modelo, em 2003.

Formados em audiovisual na UnB, os cineastas ingressaram na universidade pelo sistema de cotas. Apesar de existir um bom número de textos acadêmicos sobre o assunto, eles sentem falta de representatividade no meio audiovisual.

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Bruno Victor e Marcus Azevedo: diretores de Afronte querem narrar a experiência das cotas raciais no curta Rumo

“Pensamos nisso logo depois do Afronte. Queremos contar essas vivências. A gente quer ter essa possibilidade de recontar histórias sem ser documentário. Pensar no impacto das cotas no cotidiano das pessoas pretas e o que elas têm de fazer para acessar a universidade”, explica Victor, de 28 anos, hoje cursando dupla habilitação em publicidade.

Na trama, Rumo acompanha as trajetórias de Leni e Samuel, mãe e filho, vividos pelos atores Leni Ângela e Samuel Veloso. Morando no Pôr do Sol (Ceilândia), periferia do Distrito Federal, eles nutrem o sonho de obter diploma universitário. Ao mesmo tempo, não podem deixar de trabalhar para garantir o sustento da casa.

“Leni realmente passou para artes cênicas, aos 52 anos. E ainda não está conseguindo fazer o curso”, explica Victor. “Trabalha integralmente como cozinheira em escola pública e enfrenta outras dificuldades”, continua o diretor.

Cenário preocupante
Afronte também contou com financiamento coletivo: R$ 8 mil. Em 2019, os cineastas percebem que a crise econômica tem atrapalhado o fluxo de arrecadações. Se conseguirem bater a meta, esperam iniciar as gravações entre o final de julho e o começo de agosto.

Rumo também se mostra urgente pelo atual cenário político. Victor acredita que o filme pode criar um contraponto aos desmontes feitos (em nível federal e estadual) na educação e na cultura. “Há todo um projeto para frear essas políticas públicas implantadas no governo Lula. Penso que o acesso à educação, para esse governo, é visto como ameaça. Esse projeto político vem de um ideal de apostar na ignorância da população, espalhar fake news”, analisa.

“A população preta começou a acessar a graduação há poucas décadas. Poucas gerações de famílias negras tiveram esse acesso e conseguiram se formar no ensino superior. Parece incomodar, numa sociedade tão racista, que pessoas pretas ocupem espaços de poder”, reflete.

Rumo – Financiamento coletivo on-line
Até às 23h59 do dia 25/06/2019, pelo site Benfeitoria. A meta é R$ 5 mil. Doações a partir de R$ 15, com diversos tipos de recompensas para os apoiadores

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