Roteirista revela detalhes do filme sobre Suzane Von Richthofen

A criminóloga Ilana Casoy conta como foi participar do roteiro dos dois filmes

atualizado 30/09/2019 12:17

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Histórias reais de assassinos sempre fascinaram o cinema. Clássicos como Jack, o Estripador, Zodíaco, Helter Skelter, Monster e os mais recentes Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal e Mindhunter formam uma longa lista de crimes roteirizados. É o que pode explicar a grande curiosidade despertada pelo anúncio recente da produção de um filme sobre o chamado Caso Von Richthofen.

Discussões sustentadas por convicções pessoais, pela atual polarização do País, especulações e fake news colocaram Suzane Von Richthofen, 17 anos após o assassinato de seus pais, nos trending topics do Twitter, tornando-a novamente um dos assuntos mais comentados na internet.

Para garantir fidelidade ao que foi narrado nos depoimentos oficiais de Suzane Von Richthofen e Daniel Cravinhos, a produção decidiu retratar o caso pelos dois pontos de vista mencionados durante o julgamento. A ideia de abordar desta forma partiu dos roteiristas Ilana Casoy e Raphael Montes, autor de livros policiais. Eles se juntaram à equipe a convite do produtor Marcelo Braga e do diretor Maurício Eça que, junto com os demais produtores, decidiram dividir o projeto em dois filmes, que serão exibidos em sessões alternadas.

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Os dois filmes vão retratar a história desde o momento em que Suzane e Daniel se conheceram, em 1999, até o dia do crime, 31 de outubro de 2002. A base narrativa é o julgamento que ocorreu quatro depois, em 2006. Por meio de flashbacks, os longas mostrarão como foram esses anos de convivência na versão de cada envolvido.

Por que o Caso Von Richthofen ainda levanta tanta discussão?
As pessoas não conseguem lidar com tantos casos, são dores muito profundas. Há também uma identificação, visto que quase todos são pais e mães ou têm pai e mãe. A Suzane guarda uma semelhança com o que a sociedade acha belo e bom. Uma menina branca, loira, rica e cheia de clichês. Teoricamente, pelo que se acredita numa fantasia universal, é uma moça que não teria problemas e que vira uma assassina. Como alguém que teve tantas condições comete um crime, que não só ultrapassa o limite da lei como também o do sagrado ao matar pai e mãe? São questões que fazem todos se movimentarem para reprimir ou tentar entender melhor o assunto.

Há muitos fatos que a sociedade desconhece?
Sim. Até o júri, na época, foi limitado, com cerca de 250 pessoas, que ouviram os depoimentos. Mas e o resto do mundo? Pequenas sutilezas não são noticiadas. Este é um caso de família que gera muita revolta, dúvidas e que não dá para ser explicado

Qual a importância de filmes com essa temática?
É importante causar reflexão nas pessoas. Estamos explorando uma camada mais profunda da história, que não é sobre a investigação ou a questão policial e sim as dinâmicas de relacionamento, como a do casal, que era absolutamente comum. Juntos, eles matam.

E separados? Como eles chegam a isso?
Ela era completamente apaixonada por ele, tem inúmeras cartas de amor no processo. Mas o que não é normal é a forma como acabou. E também as dinâmicas familiares. A história da Suzane e do Daniel nós já vimos na nossa família ou ao nosso redor, que é a velha questão da diferença social, econômica e cultural.

Mas o que será verdade?
Ou será tudo mentira? Não há uma resposta, ninguém estava lá.

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