Roteirista revela detalhes do filme sobre Suzane Von Richthofen
A criminóloga Ilana Casoy conta como foi participar do roteiro dos dois filmes

Histórias reais de assassinos sempre fascinaram o cinema. Clássicos como Jack, o Estripador, Zodíaco, Helter Skelter, Monster e os mais recentes Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal e Mindhunter formam uma longa lista de crimes roteirizados. É o que pode explicar a grande curiosidade despertada pelo anúncio recente da produção de um filme sobre o chamado Caso Von Richthofen.
Discussões sustentadas por convicções pessoais, pela atual polarização do País, especulações e fake news colocaram Suzane Von Richthofen, 17 anos após o assassinato de seus pais, nos trending topics do Twitter, tornando-a novamente um dos assuntos mais comentados na internet.
Para garantir fidelidade ao que foi narrado nos depoimentos oficiais de Suzane Von Richthofen e Daniel Cravinhos, a produção decidiu retratar o caso pelos dois pontos de vista mencionados durante o julgamento. A ideia de abordar desta forma partiu dos roteiristas Ilana Casoy e Raphael Montes, autor de livros policiais. Eles se juntaram à equipe a convite do produtor Marcelo Braga e do diretor Maurício Eça que, junto com os demais produtores, decidiram dividir o projeto em dois filmes, que serão exibidos em sessões alternadas.
Os dois filmes vão retratar a história desde o momento em que Suzane e Daniel se conheceram, em 1999, até o dia do crime, 31 de outubro de 2002. A base narrativa é o julgamento que ocorreu quatro depois, em 2006. Por meio de flashbacks, os longas mostrarão como foram esses anos de convivência na versão de cada envolvido.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPor que o Caso Von Richthofen ainda levanta tanta discussão?
As pessoas não conseguem lidar com tantos casos, são dores muito profundas. Há também uma identificação, visto que quase todos são pais e mães ou têm pai e mãe. A Suzane guarda uma semelhança com o que a sociedade acha belo e bom. Uma menina branca, loira, rica e cheia de clichês. Teoricamente, pelo que se acredita numa fantasia universal, é uma moça que não teria problemas e que vira uma assassina. Como alguém que teve tantas condições comete um crime, que não só ultrapassa o limite da lei como também o do sagrado ao matar pai e mãe? São questões que fazem todos se movimentarem para reprimir ou tentar entender melhor o assunto.
Há muitos fatos que a sociedade desconhece?
Sim. Até o júri, na época, foi limitado, com cerca de 250 pessoas, que ouviram os depoimentos. Mas e o resto do mundo? Pequenas sutilezas não são noticiadas. Este é um caso de família que gera muita revolta, dúvidas e que não dá para ser explicado
Qual a importância de filmes com essa temática?
É importante causar reflexão nas pessoas. Estamos explorando uma camada mais profunda da história, que não é sobre a investigação ou a questão policial e sim as dinâmicas de relacionamento, como a do casal, que era absolutamente comum. Juntos, eles matam.
E separados? Como eles chegam a isso?
Ela era completamente apaixonada por ele, tem inúmeras cartas de amor no processo. Mas o que não é normal é a forma como acabou. E também as dinâmicas familiares. A história da Suzane e do Daniel nós já vimos na nossa família ou ao nosso redor, que é a velha questão da diferença social, econômica e cultural.
Mas o que será verdade?
Ou será tudo mentira? Não há uma resposta, ninguém estava lá.

















