Hebe – A Estrela do Brasil revela artista contra censura e pró-LGBTs

O longa conta parte da vida de uma das principais figuras da televisão brasileira

atualizado 24/09/2019 21:50

Andrea BeltrãoDivulgação

“A Hebe não é de esquerda, não é de direita. A Hebe é direta”! A frase, caso fosse proferida hoje, talvez fizesse a apresentadora ganhar a alcunha de “isentona”. Mas, em outros tempos, serviu para mostrar a personalidade rebelde de uma das principais estrelas da televisão brasileira. Morta em setembro de 2012, ela ganhou uma cinebiografia, chamada Hebe – A Estrela do Brasil, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (26/09/2019).

No filme, dirigido por Maurício Farias, o público mais jovem conhece uma outra faceta de Hebe Camargo: sempre cheia de joias e valorizando o glamour, a apresentadora teve um lado contestador. Especialmente, contra a censura imposta pelo regime militar. Ela, chamada de subversiva por um agente da repressão, claramente não fazia parte das conspirações para derrubar a ditadura. A apresentadora contestava os costumes, abrindo seu palco para artistas e personalidades LGBTs.

Pode parecer estranho imaginar essa figura pública, que declarava apoio a Paulo Maluf, lutar contra a censura e soltar frases progressistas, como “qual o problema em ser bicha?” ou “o que importa com quem ele se deita?”. Mas o filme está aí para mostrar como Hebe era assim, uma pessoa capaz de comprar brigas pelas minorias, ao mesmo tempo em que usava caros brincos de diamantes. Algo capaz de pirar a cabeça de quem pensa o mundo somente no preto e branco.

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Contra o machismo

Dentro de casa, Hebe também precisou lutar contra os estereótipos que se podia imaginar de uma das grandes divas da televisão brasileira. A relação com o filho Marcelo é caracterizada pelo amor. Mãe afetuosa, ela se desdobrava para dar atenção a ele, constantemente ignorado pelo pai, e conciliar a agenda de popstar. Na mansão, também morava Lélio Ravagnani (Marco Ricco), o segundo marido da estrela, um homem agressivo, violento e abusivo.

Esse lado mais íntimo da apresentadora é algo que surpreende o público. O filme mostra o período de transição de Hebe da Record para o SBT – um ponto negativo é o pouco convincente Silvio Santos entregue por Daniel Boaventura –, sem qualquer passagem sobre seu passado ou aos fatos desenrolados anos antes de sua morte. E neste espaço de tempo, descobrimos que a apresentadora foi vítima de um relacionamento abusivo, sendo inclusive agredida e estuprada por Lélio.

Mais realismo

O longa revive um outro debate importante: as cinebiografias nacionais têm abandonado (ainda, aos poucos) o chapa-branquismo.  Na produção, Hebe é vista como uma figura forte, militante pelas minorias e, ao mesmo tempo, como uma adepta do consumo excessivo de álcool e, até mesmo, uma megera ao estilo Miranda Priestly – como na cena em que ela acusa os empregados de roubo após beber demais e esquecer onde colocou “os brincos mais caros que essa casa”. Mostrar figuras públicas como multifacetadas é um acerto, tirando o tom laudatório dessas produções.

Por fim, é impossível não mencionar a incrível atuação de Andréa Beltrão. A atriz opta, acertadamente, em não entregar uma imitação da personagem. Ela oferece uma interpretação que é quase uma releitura de Hebe – mesmo que os trejeitos e o saudoso “gracinha” estejam lá.

Hebe – A Estrela do Brasil é um filme que resgata essa importante figura do entretenimento brasileiro, além de mostrar seu lado mais humano e solidário.

Avaliação: Bom

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