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Cinema

Etarismo contra mulheres ainda domina o cinema, alertam especialistas

Pesquisa publicada em maio de 2026 mostra que mulheres mais velhas continuam pouco representados entre as maiores bilheterias do cinema

11/07/2026 02:00
Etarismo contra mulheres ainda domina o cinema, alertam especialistas
Etarismo contra mulheres ainda domina o cinema, alertam especialistas

Filmes como Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo (2022), A Substância (2024) e, mais recentemente, Segredo Oscuro (2026) ajudaram a ampliar o debate sobre o etarismo contra as mulheres no cinema. Apesar da maior visibilidade do tema, um estudo divulgado no fim de maio mostra que protagonistas com mais de 60 anos continuam sendo exceção nas produções de maior sucesso.

A pesquisa, realizada pelo instituto britânico Centre for Aging Better, aponta que é cinco vezes mais provável encontrar um filme protagonizado por um cachorro falante do que por uma mulher com mais de 60 anos. O levantamento analisou as 100 maiores bilheterias entre 2023 e 2025 e identificou que seis delas eram estreladas por um ator chamado Chris. No mesmo período, apenas cinco produções tinham uma mulher com mais de 60 anos entre as protagonistas.

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Protagonista não se sente satisfeita com o "básico"
Fernanda Montenegro vive Dona Nina, no filme Vitória
Michelle Yeoh, como Melhor Atriz
Fernanda Torres em Ainda Estou Aqui
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Protagonista não se sente satisfeita com o "básico"
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Protagonista não se sente satisfeita com o "básico"

Working Title Films/Reprodução
Fernanda Montenegro vive Dona Nina, no filme Vitória
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Fernanda Montenegro vive Dona Nina, no filme Vitória

Suzanna Tierie
Michelle Yeoh, como Melhor Atriz
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Michelle Yeoh, como Melhor Atriz

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Fernanda Torres em Ainda Estou Aqui
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Fernanda Torres em Ainda Estou Aqui

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Working Title Films/Reprodução
Alan Rocha dá vida à Fábio, um jornalista que se interessa pela história de Dona Nina
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Alan Rocha dá vida à Fábio, um jornalista que se interessa pela história de Dona Nina

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Michelle Yeoh
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Michelle Yeoh

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Filme Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo é do estúdio A24 e desponta como favorito ao Oscar
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Filme Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo é do estúdio A24 e desponta como favorito ao Oscar

A24/Divulgação
O filme conta a história real de Joana, uma mulher que filmou a movimentação de traficantes em uma favela do Rio de Janeiro
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O filme conta a história real de Joana, uma mulher que filmou a movimentação de traficantes em uma favela do Rio de Janeiro

Suzanna Tierie
Ainda Estou Aqui
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Ainda Estou Aqui

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O estudo integra a campanha Age Without Limits (Idade Sem Limites), liderada pela atriz vencedora do Oscar Emma Thompson. A iniciativa busca chamar a atenção da indústria audiovisual e do público para a necessidade de ampliar o espaço de mulheres mais velhas, tanto diante quanto atrás das câmeras.

“Queremos mais filmes que falem sobre mulheres envelhecendo. Mulheres mais velhas não precisam de permissão para existir na tela. Elas já existem no mundo e o cinema precisa acompanhar”, afirmou a atriz.

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Cena colorida do filme Vitória, estrelado por Fernanda Montenegro - Metrópoles
Fernanda Montenegro vive Dona Nina, no filme Vitória

Para a professora de cinema Dani Balbi, doutora em dramaturgia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a campanha evidencia que a indústria ainda precisa avançar na diversidade de profissionais e das histórias retratadas nas telas.

“Mulheres mais velhas, não brancas e que não performam padrões de gênero que desconfortam ou desagradam as expectativas masculinas não comparecem de modo constante no cinema”, confirma a especialista. “Isso impacta não apenas o tempo de tela de atrizes mais velhas, mas na formação de um público consumidor estimulado a reforçar papéis de gênero que reduzem a complexidade do ser mulher na sociedade.”


Entenda

  • Mulheres com mais de 60 anos seguem raras como protagonistas nos filmes de maior bilheteria.
  • Um estudo recente mostrou que é cinco vezes mais provável um filme ter um cachorro falante como protagonista do que uma mulher acima de 60 anos.
  • Entre as 100 maiores bilheterias de 2023 a 2025, seis foram estreladas por um ator chamado Chris; apenas cinco tinham uma mulher com mais de 60 anos entre as protagonistas.
  • A pesquisa integra a campanha Age Without Limits, liderada por Emma Thompson, que defende mais espaço para mulheres mais velhas no audiovisual.
  • Um terço do público acredita que ainda são produzidos poucos filmes protagonizados por mulheres acima de 60 anos.
  • Especialistas afirmam que a falta de representatividade reforça o etarismo e pode afetar a autoestima e o reconhecimento de mulheres mais velhas.

A autoestima das espectadoras

A pesquisa da campanha Age Without Limits também busca mostrar que não falta interesse do público por histórias protagonizadas por mulheres mais velhas. Segundo o levantamento, uma em cada três pessoas (33%) acredita que ainda são produzidos poucos filmes com mulheres acima de 60 anos no papel principal.

Enquanto isso, apenas uma em cada 30 pessoas (3%) considera que há filmes demais com esse tipo de protagonista. Quando a pergunta se refere a homens acima de 60 anos, a percepção muda: uma em cada cinco pessoas (20%) acredita que faltam produções estreladas por eles.Gráfico mostra percepção do público sobre filmes protagonizados por mulheres mais velhas

Gráfico mostra percepção do público sobre filmes protagonizados por mulheres mais velhasPara o instituto britânico, os dados revelam não apenas a escassez de oportunidades para essas profissionais, mas também como essa ausência influencia a forma como o envelhecimento feminino é percebido pela sociedade.

“Um a cada cinco frequentadores dos cinemas no Reino Unido tem 55 anos ou mais, e esse grupo etário gasta centenas de milhões de libras todos os anos em cinema. A representação de atores mais velhos em papéis principais é tão desproporcional à proporção de mulheres mais velhas no público do cinema que a falta de representatividade é, francamente, insultante”, afirma Dra. Carole Easton, diretora executiva do Centre for Aging Better.

Para a especialista em saúde feminina Priscilla Guerra, ampliar a presença de mulheres com mais de 60 anos nas telas também contribui para fortalecer a autoestima e o reconhecimento dessas pessoas.

“Quando mulheres acima dos 60 anos deixam de ser vistas como protagonistas nas telas, a mensagem que recebem é silenciosa, mas muito poderosa: a de que sua história, sua beleza e sua voz já não importam. Isso fere a autoestima e reforça o etarismo, fazendo com que muitas se sintam invisíveis justamente na fase em que acumulam mais experiência, autonomia e sabedoria”, afirma.
A especialista acrescenta que a representatividade vai além da indústria do entretenimento.

“Mulheres mais velhas merecem ser representadas porque existem, inspiram e têm muito a dizer. Dar visibilidade a essas mulheres é também uma forma de promover saúde, dignidade e um envelhecimento mais humano”, conclui.