Crítica: Não Se Aceitam Devoluções é dramédia sem sal sobre solteirão
Remake brasileiro de um sucesso mexicano traz Leandro Hassum no papel de homem festeiro que enfrenta desafio de criar a filha sozinho

Não Se Aceitam Devoluções importa para o Brasil a comédia mexicana Não Aceitamos Devoluções (2013). Ano passado, o sucesso latino gerou a versão francesa, Uma Família de Dois. Leandro Hassum, um dos atores que mais levam brasileiros aos cinemas, vive um solteirão convicto forçado a deixar a farra de lado para criar uma filha não planejada.
Com direção de André Moraes, o remake ganha contornos bem brasileiros. O medroso Juca Valente (Hassum) mora no Guarujá e leva uma vida de casanova: toda noite uma mulher diferente frequenta sua cama. Um belo dia, porém, toca a campainha Brenda (a cubana Laura Ramos), com uma bebê de 1 ano a tiracolo.
Aos poucos, Não Se Aceitam Devoluções admite uma tonelada de reviravoltas – o terceiro ato envolve drama de tribunal, teste de paternidade e doença sem cura – e um tom mais emotivo. É quando a comédia a fórceps, de piadas batidas, dá lugar a uma série de chantagens sentimentais.
Hassum vai bem quando troca o riso pelo choro. Seria melhor ainda se tudo no filme não soasse tão precariamente encenado e mal-escrito. As cenas de ação de Valente nos sets de filmagem abusam da câmera lenta. Os já esperados reencontros de Emma com Brenda se desenrolam em momentos dos mais rasos, sem qualquer impacto – mãe e filha comprando roupas, por exemplo.
O filme tem dificuldade até para costurar suas idas e vindas. Lá pelas tantas, a situação de Emma e as contendas entre os pais se resolvem com um passeio dos três nas praias ensolaradas do Guarujá e uma narração em off chorosa revelando a nota final da história. Uma dramédia que nem diverte e nem emociona.
Avaliação: Ruim












