Crítica: "Meu Malvado Favorito 3" usa nostalgia para renovar vilões
Dois anos após o hit "Minions" (2015), nova animação da Universal narra encontro de Dru com irmão gêmeo e surgimento de vilão nostálgico

Em “Meu Malvado Favorito 3”, a nostalgia é vilã. Dois anos após o sucesso de “Minions” (2015), que elevou o status de popularidade da franquia ao arrecadar US$ 1,159 bilhão, Dru (voz de Leandro Hassum na versão brasileira) enfrenta um sujeito bigodudo que se recusa a largar os anos 1980.
Terceira franquia de animação mais lucrativa de Hollywood, “Meu Malvado Favorito” vingou como uma espécie de releitura de “Shrek”. Não tem a profundidade filosófica dos filmes da concorrente Pixar, mas compensa na extravagância lúdica: traços acessíveis e uma narrativa que atrai e diverte crianças (a fofura dos Minions como estratégia principal) e adultos (referências pop, autoironia).
Ele arquiteta um plano para destruir Hollywood, a cidade que primeiro o consagrou e depois o condenou ao anonimato. Eis as armas de Bratt: passos de dança, um exército de brinquedos (baseados nele próprio, claro) e gomas de mascar capazes de engolir uma cidade inteira.
Um bom vilão, mas pouca ambição
Uma pena que tais artefatos só pareçam engraçados na primeira aparição. Para completar o arsenal bélico, Bratt furtou um diamante que o ajudará a reforçar o poder de fogo de um robô Bratt gigante. Sim, a ideia é pisotear Hollywood mascando chicletes e disparando tiros de laser.
Enquanto Bratt é desenvolvido como o personagem mais minimamente empolgante da trama, Dru descobre um irmão gêmeo gente boa. Gru é Dru do avesso: loiro, alegre e sem a verve vilanesca.
Inventar um parente próximo justo agora, no terceiro filme, mostra o quanto a franquia “Meu Malvado Favorito” anda preguiçosa. Qualquer boa ideia – como o vilão nostálgico – esgota com a velocidade de uma piada sem graça, mas repetida a esmo.
“Meu Malvado Favorito 3” reúne até citações a “Star Wars”, “Sing” (filme também do estúdio Universal) e “Procurando Nemo” (da Pixar) para arejar o roteiro. Pudera.
Até os Minions parecem escanteados. Ganham uma trama paralela que pouco tem a ver com a historinha de Dru, Gru e Bratt, numa manobra esperta de equilibrar o eixo principal (que talvez aborreça crianças pequenas) com esquetes.
Para uma franquia tão cara e colorida, a falta de imaginação chega a impressionar. Resta saber até quando o público vai ter esses personagens como seus malvados favoritos.
Avaliação: Regular
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