Crítica: John Wick 3 traz ação empolgante, mas trama repetitiva

Após um começo promissor, o terceiro filme da franquia simplesmente não consegue levar a história adiante

atualizado 16/05/2019 19:01

Paris Filmes/Divulgação

Já é clichê, mas vale reforçar: “si vis pacem, para bellum”, diz o velho ditado em Latim, algo como “se você visa a paz, prepare-se para a guerra”. Parabellum, o subtítulo do novo e terceiro episódio da franquia John Wick, promete um confronto histórico, e da maneira com a qual o assassino termina o filme anterior, sabemos que o mundo inteiro está contra ele.

John Wick é uma lenda no submundo do crime. Quando o conhecemos, no primeiro filme, ele está aposentado há meia década, isolado em casa, de luto pela perda da esposa. O cão que ela deixou é brutalmente assassinado após um gângster russo invadir a casa de Wick para roubar um carro. Foi um erro grotesco, visto que nenhum dos atacantes sabia que interferiram na vida do melhor assassino que já existiu.

Anos depois, a volta à ativa de Wick ainda lhe causa problemas. Nesta ficção, o submundo de assassinos de aluguel tem uma mitologia épica, cheia de regras e ditada por um código de honra rígido. Toda ação tem uma consequência, especialmente no hotel Continental, campo neutro onde profissionais não podem se atacar. Ele violou esta regra sagrada no segundo episódio e é por isso que agora o mundo inteiro quer sua cabeça.

Esta série é conhecida por três coisas: artes marciais, bangue-bangue e uma mitologia inusitada. As cenas de ação, coreografadas e filmadas de uma maneira que privilegia o entendimento do espectador e a geografia do cenário, num estilo que chega a ser inovador nos dias de hoje, são as melhores partes do filme e bastam como uma razão para assisti-lo. Logo no começo, uma piadinha interessante sustenta que um livro é uma arma das mais perigosas.

O problema está na trama. Quem aqui espera alguma exploração deste universo, além daquela feita no segundo filme, se decepcionará. Para não dizer que o longa se estende, o cenário agora é global. John Wick viaja até Casablanca e lá cobra uma dívida de Sofia (Halle Berry). Em outro momento pós-moderno, um ritual japonês é executado entre as dunas do Saara. Nada disso é suficiente. Que uma dívida gera outra, que uma morte tem consequências: todas as ideias apresentadas já foram exploradas anteriormente.

Chega a ser desonesta a caracterização de Wick como um ser humano, visto que o roteiro lhe confere poderes e resistência de super-herói. Outro personagem, cuja sobrevivência é revelada no final, também impõe a ideia de que seu assassino, um dos melhores do mundo, não é tão bom assim quando o roteiro necessita. Difícil imaginar também que, ao final, o espectador se sinta contente com o desenrolar da história.

John Wick 3 começa bem, com um protagonista desarmado sendo perseguido por várias tribos de assassinos, algo reminiscente do clássico cult Os Selvagens da Noite (1979), de Walter Hill. Quando Wick recupera seu fôlego, porém, ainda no primeiro ato, ele retoma o controle e vemos tudo aquilo que já vimos antes. Infelizmente, isto torna este capítulo desnecessário e redundante.

Avaliação: Regular

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