Crítica: família é despedaçada no terror Os Estranhos: Caçada Noturna
Sequência de Os Estranhos (2008) volta a mostrar atos sanguinários de um grupo de assassinos mascarados

Dez anos depois do ótimo Os Estranhos (2008), chega aos cinemas a sequência tardia Os Estranhos: Caçada Noturna. Bryan Bertino, diretor e roteirista do original, retorna como coautor da história ao lado de Ben Ketai. Mas a direção econômica e objetiva de Johannes Roberts, do claustrofóbico filme de tubarão Medo Profundo, garante uma boa sessão de terror.
Ao som de pop anos 1980, o grupo de assassinos mascarados volta a atormentar o descanso de uma família americana. Antes de enviar a problemática filha adolescente Kinsey (Bailee Madison) para um internato, o casal Cindy (Christina Hendricks) e Mike (Martin Henderson) decide relaxar numa comunidade de trailers longe da cidade. Luke (Lewis Pullman), filho mais velho, também participa da viagem.
Bem organizado visualmente, o filme faz questão de isolar a família em grupos distintos para aumentar o impacto das cenas de invasão. Mãe e filha, pai e filho. Dali adiante, sobram apenas Kinsey e Luke contra a gangue insidiosa. Com machados e facas, eles atacam silenciosa e sorrateiramente. O objetivo parece ser apenas matar por esporte.
“Por que não?”, responde uma das assassinas após Kinsey questionar a razão de tanta violência gratuita. Roberts evita construir pretensiosos perfis psicológicos dos criminosos e das vítimas e investe na dimensão física e espacial do terror. Uma narrativa imersa em ação furtiva e música. Exemplo: um esfaqueamento na piscina do clube embalado por Total Eclipse of the Heart.
A segunda metade aposta em reviravoltas que nem sempre funcionam como deveriam, diluindo sutilmente a atmosfera de constante ameaça. Mesmo assim, o roteiro enxuto refuta os entulhos dramáticos e o excesso de soluções mirabolantes.
Nesse sentido, Caçada Noturna não tem medo de se filiar claramente ao cinema de mestres do horror: a sanguinolência vil de Tobe Hooper, sem espaço para conforto emocional, e a ironia diante do próprio gênero cinematográfico tão bem desenvolvida por Wes Craven – o filme brinca com o público da mesma maneira que os mascarados afligem a família.












