Crítica: 8 Mulheres e um Segredo é atualização divertida da franquia

Novo longa parece tão glamouroso quanto os que o precederam, mas sem a canastrice da turma de Danny Ocean

atualizado 06/06/2018 19:16

Warner Bros./Divulgação

Assim como aconteceu em Ghostbusters (2016), repaginar Onze Homens e um Segredo (2001) com um elenco inteiramente feminino não é tarefa fácil. Ambas as franquias são muito divertidas, mas… nada clementes com suas mulheres. Refazer a história – ou retomar, como é o caso de Oito Mulheres e um Segredo – é, para o público feminino, uma conquista tardia, mas sai melhor que a encomenda.

Os acenos para os filmes originais são sutis: além das aparições de Reuben (Elliott Gould) e Yen (Shaobo Qin), a primeira cena do filme é praticamente idêntica à do longa de 2001. Debbie Ocean (Sandra Bullock), irmã de Danny Ocean (George Clooney), está em uma audiência de condicional após passar cinco anos na prisão. A edição, a trilha sonora e as escolhas estéticas no enquadramento também são boas homenagens à franquia da década passada.

As semelhanças com o filme de 2001, no entanto, param por aí. Acertadamente, o roteiro opta por desromantizar cada uma de suas personagens, a começar pela própria Debbie. Diferente do irmão, que saiu do xadrez de aliança no dedo, disposto a reconquistar a ex-mulher, nossa protagonista enfrenta a liberdade com sangue nos olhos e um plano intrincado para não só enriquecer às custas do ex, mas também incriminá-lo pelo roubo.

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Fazendo as vezes de Rusty (no original, um parceiro de Danny vivido por Brad Pitt), está Lou (Cate Blanchett), melhor amiga de Debbie, com quem ela divide uma química inacreditável. O filme ainda conta com atrizes de renome, como Sarah Paulson e Helena Bonham Carter, a brilhante Mindy Kaling, Rihanna e Awkwafina, duas revelações surpreendentes. Todas estão afiadíssimas em seus papéis, com tiradas hilárias e atuações que são a marca da franquia: um time incrível de intérpretes vivendo personagens interessantes em um roubo extremamente glamouroso.

Mas talvez a mais confortável em seu personagem seja Anne Hathaway. A queridinha de Hollywood finalmente conseguiu o papel de uma mulher fútil, rasa e, convenhamos, babaca. A atriz se diverte em cada minuto em cena, mas não se enganem: neste filme, não tem mulher burra. Muitas apresentam momentos de fragilidade, insegurança e medo. Apenas isso.

O roteiro acerta ao expor, em um diálogo entre Debbie e Lou, o motivo de a equipe não contar com nem sequer um homem: para roubar um milionário colar Cartier no Met Gala, é preciso passar despercebida. Nós, mulheres, somos frequentemente ignoradas. Por que não usar isso em nosso favor? Não que o filme careça de bons personagens masculinos: além de Reuben e Yen, John Frazier (James Corden) é um lembrete de que nem todo homem é um completo paspalho. Mas mulher nenhuma precisa deles para se empoderar.

Avaliação: Ótimo

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