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Apesar de o título indicar que se trata apenas de um registro histórico, o filme A Morte de Stalin é uma comédia satírica sobre as maquinações, traições e disputas acirradas de políticos pelo controle do Kremlin na União Soviética dos anos 1950.

Armando Iannucci, indicado ao Oscar pelo roteiro adaptado de Conversa Truncada (2009), seu primeiro filme como diretor, e criador da série Veep (2012-2017), investe em diálogos histéricos e situações irônicas para ridicularizar o autoritarismo soviético. Até as cenas de execução e tortura ganham contornos humorísticos.

 

A crise se instala na URSS após Stalin sofrer uma hemorragia cerebral e falecer. O clima de paranoia que já aterrorizava o país chega agora ao alto escalão. Com o ditador vivo, qualquer passo em falso poderia significar nome contemplado na lista de desafetos do líder – ou seja, ficar na mira do pelotão de fuzilamento.

Após a partida de Stalin, a desconfiança se intensifica. Quem assumirá o controle do país após a sua morte? Os ministros querem cada um salvar a própria pele e, quando possível, tirar uma casquinha da instabilidade política para escalar degraus na hierarquia.

A história se concentra nos estratagemas de Nikita Khrushchev (Steve Buscemi), um dos mais influentes conselheiros de Stalin, após o inseguro Georgy Malenkov (Jeffrey Tambor) assumir o poder. Um dos alvos de Khrushchev é Lavrenti Beria (Simon Russell Beale), chefe de segurança e responsável por prisões e execuções durante o regime.

A Morte de Stalin tenta cumprir a encardida missão de achar graça em personagens históricos autoritários e truculentos. Se sai bem em algumas piadas – os ministros diante do cadáver do ditador protagonizam cenas impagáveis –, mas, no geral, o tom de galhofa não parece combinar com as atribuições informativas e algo didáticas da trama. Fica a sensação de que a sátira poderia ter ido bem, bem mais longe.

Avaliação: Regular