Crítica: Alice Jr leva a lacração das redes sociais para o cinema

A julgar pela reação da plateia do Cine Brasília, a produção paranaense é forte candidata a levar o prêmio do Júri Popular

Divulgação

atualizado 26/11/2019 17:31

Tudo no terceiro longa-metragem da Mostra Competitiva do 52º Festival de Brasília é milimetricamente pensado para parecer espontâneo. A produção do Paraná, registra a mudança da vlogueira Alice (Anne Celestino), desde Recife (Pernambuco) a uma cidade ultraconservadora no interior da região Sul do país.

A adolescente trans utiliza o YouTube para fazer militância e ganhar fama como modelo de estilistas famosos, mas esmorece ao se deparar com a transfobia dos estudantes da nova escola onde precisa estudar. As coisas só melhoram um pouco quando passa a ganhar a simpatia de algumas colegas do colégio e o aparecimento de um crush (Matheus Moura), um rapaz negro livre de preconceitos.

O longa acerta na encenação de vídeos do YouTube (inclusive, com a participação da cantora Gretchen, a rainha dos GIFs na internet) e na construção da relação da garota trans e seu pai (Emmanuel Rosset, no papel do perfumista Jean Genet), mas escorrega ao fazer militância rasa utilizando o slogan “mexeu com uma, mexeu com todas”, em cena de reviravolta para a protagonista.

Um dos grandes méritos de Alice Jr, no entanto, é tratar o tema LGBT com leveza, sem a carga dramática com que geralmente o cinema brasileiro retrata seus personagens.

Avaliação: Ruim

Curtas-metragens

A trama simples de Cabeça de Rua gira em torno do dilema da guardadora de carros Célia em aceitar um emprego numa loja de rações. A vigia está passando o ponto para uma prima, mas não sabe ainda se essa é a melhor decisão a tomar. A produção de curta duração peca, no entanto, na escassez de situações dramáticas do roteiro e na falta de uma melhor inserção do universo das personagens na tela.

Avaliação: Ruim

Severino Dadá desenvolve uma comédia paranóica em A nave de Mané Socó, sobre uma suposta invasão alienígena na cidade de Pedra, sertão de Pernambuco. Levemente baseado em A Guerra dos Mundos (Orson Welles), este título do gênero “fuleragem fiction”, nas palavras do próprio diretor, tem gás o suficiente para proporcionar um ótimo entretenimento e extrair boas risadas.

Avaliação: Bom

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