Crítica: 4×100 — Correndo por um Sonho emociona ao valorizar atletas

Com direção de Tomás Portella, longa-metragem estreia, nesta quinta-feira (24/6), nas salas de cinema de todo o país

atualizado 24/06/2021 14:31

Gullane/Divulgação

Após hiato causado pela pandemia da Covid-19, o cinema nacional voltou com tudo ao circuito comercial. Nesta quinta-feira (24/6), estreia o filme 4×100 — Correndo por um Sonho, produção que resgata o orgulho pelos esportistas brasileiros e o verdadeiro sentido de vestir as cores verde e amarelo.

Com direção de Tomás Portella (Operações Especiais, Qualquer Gato Vira Lata), o longa-metragem volta os holofotes a um dos esportes mais desvalorizados no Brasil, o atletismo. Na trama, atletas mulheres da categoria — lembrada apenas de quatro em quatro anos — correm por sobrevivência, respeito e um lugar no pódio.

A história começa com a derrota da equipe brasileira nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, e mostra como esse resultado repercute de maneiras diferentes para cada atleta. Enquanto a bela Maria Lúcia (Fernanda de Freitas) segue patrocinada e atuando em comerciais fitness, Adriana (Thalita Carauta) abandona os treinos e, sem patrocínio, sobrevive de poucas lutas na rota underground do MMA.

Passados quatro anos, a delegação tem uma nova chance de mudar os rumos da história, desta vez, nas olimpíadas de Tóquio, no Japão. Para conquistar a tão sonhada medalha de ouro, cada uma das atletas precisa, antes de tudo, superar obstáculos pessoais.

Sem alarde, 4×100 — Correndo por um Sonho mostra como o racismo estrutural faz reflexo também no esporte

Apesar de focar na relação das personagens de Thalita Carauta e Fernanda de Freitas, o roteiro escrito por Carlos Cortez, Caroline Fioratti, Juliana Soares, L.G. Bayão, Mauro Lima e Tomás Portella, desenrola bem as tramas paralelas interpretadas pelas atrizes Roberta Alonso, Cinthia Rosa e Priscila Steinman.

Rita (Roberta Alonso), a mais velha da equipe, luta com os desafios da idade e, para manter o alto desempenho, se entrega ao uso de substâncias proibidas. Já Jaciara (Cinthia Rosa), enfrenta um relacionamento abusivo e um namorado que insiste que ela interrompa a carreira para lhe dar filhos. Bia (Priscila Steinman), a caçula, tenta se encaixar e encontrar seu lugar na equipe. O elenco conta ainda com nomes como Augusto Madeira, que representa o técnico Victor, Zezé Motta, como a médica Bruna, e Claudio Jaborandy, que vive um dono de bar, amigo de Adriana (Thalita Carauta).

Famosas por estrelar humorísticos na TV e cinema, as atuações de Thalita Carauta e Fernanda de Freitas merecem aplausos. As atrizes emocionam, sem pesar no melodrama, mas despejando toda a carga emotiva no olhar.

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Os cinéfilos mais atentos às pautas sociais, vão perceber que, mesmo sem alarde, o filme salienta como o racismo estrutural no Brasil faz reflexo também no esporte, já que o mercado publicitário que privilegia Maria Lúcia parece conhecer apenas um padrão estético.  Um retrato perfeito da atrasada e preconceituosa mentalidade de empresários, que ainda em 2021, impõem mais esse desafio a atletas negras.

Outro ponto positivo de 4×100 é o fato de o roteiro explorar bem a vida das atletas fora das quadras, mostrando as fraquezas dessas mulheres que, em competição, se transformam em heroínas nacionais. Isso, claro, bem dosado com cenas dos extenuantes treinos para se chegar à perfeição da atividade.

Filmado em 2017, 4×100 — Correndo por um Sonho teria sido lançado em 2020, não fosse a pandemia da Covid-19. Assim como os próprios jogos olímpicos de Tóquio, no Japão, que será realizado neste ano, o filme também teve estreia adiada. E deixar isso claro logo nos primeiros minutos da obra, é uma forma interessante de lembrar as próximas gerações como o coronavírus afetou a vida de todo mundo.

Pontos negativos

Para não dizer que tudo são flores, há pontas soltas que poderiam ter sido melhor desenvolvidas. Como uma sugestão de que Maria Lúcia nutre uma atração por Adriana. O interesse afetivo que aparece “do nada”, também some sem nenhuma resolução. Apesar de não prejudicar o resultado final, a produção também deixa a desejar tecnicamente, em especial nas cenas do mundial, onde mesmo o olhar leigo observa falhas na computação gráfica.

Nada disso, contudo, é capaz de tirar o brilho do filme que, no geral, emociona com a mesma naturalidade que também faz rir. E melhor, desperta nos espectadores a curiosidade por conhecer os atletas olímpicos brasileiros, que vão precisar tanto da torcida e respeito do seu povo nos próximos meses.

Avaliação: Bom

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