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Claude Lanzmann, diretor do documentário Shoah (1985) – produção sobre o Holocausto, morreu na manhã desta quinta (5/7), aos 92 anos, em Paris. Segundo um porta-voz da editora Gallimard, que publicou um dos livros mais recentes do francês, o artista estava com a saúde debilitada há vários dias e faleceu em sua casa.

Filho de judeus, Lanzmann marcou para sempre a história do cinema com Shoah, filme com nove horas e meia de duração que se consolidou como obra de referência sobre o Holocausto. No longa-metragem, o diretor não usa imagens de arquivo e articula entrevistas com vítimas e criminosos. A criação é considerada pelos críticos como um dos melhores documentários já realizados.

Editor do jornal Les Temps Modernes (Os Tempos Modernos, em referência ao filme de Chaplin), criado por Jean-Paul Sartre e Beauvoir, Lanzmann dirigiu outros nove trabalhos além de Shoah. Estreou com Por Que Israel? (1973), uma reflexão sobre os 25 anos de existência do estado.

Em 2001, o cineasta voltou a falar a respeito dos horrores da Segunda Guerra Mundial em Sobibór, 14 Octobre 1943, 16 Heures, sobre a revolta de prisioneiros no campo de extermínio nazista de Sobibor, na Polônia. Seu último longa foi Napalm (2017), no qual revisita um romance vivido com uma enfermeira na Coreia do Norte dos anos 1950.

Durante a Segunda Guerra, a família de Lanzmann viveu às escondidas, enquanto ele se juntou à Resistência Francesa. Durante sete anos, entre 1952 e 1959, viveu um longo caso com a intelectual e filósofa Simone de Beauvoir.

Lanzmann foi casado três vezes, com Judith Magre, Angelika Schrobsdorff e Dominique Petithory, e teve dois filhos, Angélique Lanzmann e Félix Lanzmann, que morreu em 2017 aos 23 anos após lutar contra o câncer. O cineasta registrou suas memórias no livro Le lièvre de Patagonie (2009).