Cannes: Mission: Impossible – The Final Reckoning, de Chris McQuarrie

Se uma das franquias mais interessantes de Hollywood acabar assim, a indústria como um todo está com sérios problemas.

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Mission Impossible The Final Reckoning
1 de 1 Mission Impossible The Final Reckoning - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

A lua-de-mel mais longeva do cinema hollywoodiano de ação chegou ao fim. Durou dez anos, uma década inteira. Quando Tom Cruise deu as rédeas de Missão Impossível para Christopher McQuarrie, em 2015, “Nação Secreta” (como ficou o subtítulo) o quinto filme da série, o sucesso foi fenomenal. Uniu críticos e público, um feito nem sempre garantido no cinema comercial. Só que aconteceu algo além disso. Os filmes prévios também iam bem de bilheteria, e uma característica fundamental destacou os quatro primeiros: cada um foi dirigido por uma pessoa diferente. A partir de 2015, a segunda metade inteira da saga de Ethan Hunt, tem um mesmo diretor.

Sempre deu certo, e por isso a expectativa do que poderia acontecer neste oitavo filme, que muitos indicam ser o último de Cruise e McQuarrie, estão lá em cima. É de surpreender que o filme tenha o pior dos problemas–é chato pra caramba. O roteiro troca a história-espetáculo para ser uma série de explicações aonde, a cada cena, os personagens que a habitam precisam reiterar tudo o que está acontecendo. É tanta confusão retórica, e tanto uso do que roteiristas chamam de “diálogo expositório”, que o sentimento no final do filme é de que este seria o pior final possível para um cinema de ação consistentemente fora da curva.

Há muito se diz que a trama nem importa num filme de Missão Impossível. É sempre a mesma coisa. Ethan e sua equipe atrás de uma coisa qualquer enquanto um monte de gente caça a equipe. The Final Reckoning é uma continuação direta da trama anterior, aonde a equipe de Hunt (Tom Cruise) trava luta direta com um sistema de inteligência artificial apelidado de “A Entidade”. No começo deste filme, a Entidade está com quase controle total das armas nucleares do planeta, e o apocalipse está para acontecer. Fake news, com áudio e vídeo gerado na inteligência artificial, deixaram populações mundo afora em conflito perpétuo. Qualquer semelhança com os dias de hoje não é metafórica.

Ethan, Grace (Hayley Atwell), Luther (Ving Rhames), Benji (Simon Pegg) e até a ex-vilã Paris (Pom Klementieff) estão juntos atrás de uma chave-mestra, sumida dentro de um submarino russo naufragado. Apesar de ter salvo o mundo em outros sete filmes, a equipe é considerada criminosa pelo seu próprio governo, personificado em um dos burocratas do primeiro filme, Kittridge (Henry Czerny).

Muita gente não se importa muito com as peculiaridades destas tramas repetitivas. Missão: Impossível é mais conhecida pelas peripécias de seu astro nas cenas de ação do que softwares, pen-drives e Patas-de-Coelho (o objeto procurado no filme número três e que recebe muitas menções neste filme, o oitavo). Duas sequencias, que já aparecem no trailer, são a razão de ser deste filme. A primeira é a bordo do submarino naufragado, já mencionado, e a segunda é uma perseguição entre dois aviões antigos, “analógicos”. O fato de um dos vilões ter DOIS destes aviões, em vez só do único que é necessário para sua fuga, é uma das ridicularidades do roteiro.

Não é justo dizer que estas duas sequencias já não são o suficiente para valer o preço de um ingresso. São realmente incríveis, e Tom Cruise merece todos os elogios por ir além do necessário. O problema é que elas devem ocupar cerca de quarenta minutos de um filme de duas horas e cinquenta minutos. O tempo que sobra, duas horas e dez minutos inteiros, estão entre os piores da série.

Avaliação: Ruim (1 estrela)

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