Brasileiros não verão A Odisseia como Nolan idealizou: entenda
Novo filme de Christopher Nolan, A Odisseia terá acesso limitado mundialmente de sessões que podem exibi-lo em IMAX 70 mm

Com um espetáculo visual e uma tecnologia inovadora nas gravações, A Odisseia chegou aos cinemas nesta semana e se tornou alvo de vários questionamentos nas redes sociais. O novo filme de Christopher Nolan é o primeiro da história gravado inteiramente em câmeras IMAX 70mm, considerado o formato mais avançado de captura de imagem do cinema. No entanto, a tecnologia está disponível em cerca de 40 salas de cinema pelo mundo, causando debates online sobre as diferenças de exibição em salas distintas.
No Brasil, por exemplo, não há nenhuma sala capaz de exibir um filme no formato IMAX 70mm. Assim, o público no país terá acesso a uma versão diferente da experiência planejada pelo diretor, que é um grande defensor de que obras de cinema sejam vistas como foram idealizadas.
O que muda na tela?
- A tecnologia IMAX 70mm utiliza película de grande escala.
- Ela é capaz de registrar muito mais detalhes do que projetores digitais convencionais.
- Além disso, também permite uma imagem com proporção diferente das telas tradicionais.
- Ao invés do recorte retangular do cinema tradicional, a imagem se expande para cima e para baixo.
O Metrópoles conversou com especialistas para entender o que muda na hora de ver o filme após o uso deste tipo raro de gravação. Segundo Pablo Savalla, autor do livro O Poder Esmagador do Cinema, que analisa como Christopher Nolan transformou o IMAX em ferramenta narrativa, a resolução analógica do formato equivale a 18K, muito superior aos projetores digitais.
“O maior diferencial é o tamanho da tela e a qualidade da projeção. A qualidade da imagem projetada também muda, pois tem uma resolução analógica equivalente a 18K, muito superior aos projetores digitais”, explica Savalla.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO especialista também alerta para uma confusão comum entre os espectadores. “É importante ressaltar que IMAX pode ser tanto a forma que o filme é filmado como a forma que é exibido. São coisas diferentes”, afirma.
Para a crítica de cinema Flávia Saretta, a escolha de Nolan pelo formato revela muito sobre a visão dele sobre o cinema. “Ele quer que a experiência seja o mais imersiva e estonteante possível. E no caso de um épico como A Odisseia, esse preciosismo faz sentido”, avalia.
A especialista analisa que o uso do IMAX 70mm também tem um significado maior para o futuro do cinema. “Pode sinalizar um futuro em que esse tipo de experiência altamente imersiva seja cada vez mais importante. O cinema procura formas de se diferenciar, de ser um espetáculo que tire as pessoas de casa“, afirma.
Isso afeta a experiência dos brasileiros?
Apesar de a tecnologia não existir no Brasil, a ausência do IMAX 70mm não significa que o público brasileiro terá uma experiência inferior em todos os aspectos. O IMAX digital continua oferecendo diferenças importantes em relação a uma sala tradicional, como telas maiores, sistemas de som mais potentes e uma proposta mais imersiva.
Para Savalla, a questão principal não está apenas no equipamento, mas na experiência coletiva do cinema. “Por mais que seja uma experiência diferente da projeção em película 70mm para a digital, o mais importante é ver o filme em uma boa sala de cinema”, afirma.
Flávia reforça esse ponto, e acrescenta um detalhe que pouca gente considera. “É claro que a experiência no 70mm é mais estonteante, acachapante, mas você não deixa de ver um bom filme se assistir numa boa sala digital. Nesse caso, o som importa até mais do que o vídeo. Tão importante quanto a projeção é o som, e esse é essencial“, pondera.
Sobre o futuro do formato no país, Savalla destaca que mesmo com o aumento da procura por essas salas no mundo inteiro, esse investimento é muito alto. “O caminho mais realista para o Brasil são as atualizações para o IMAX com projeção laser e o aumento do número de salas digitais pelo país”, avalia.
Na avaliação da crítica, no entanto, a tecnologia só faz sentido quando está a serviço da história que será contada. “O IMAX 70mm, esse fetiche do Nolan, tem que ser usado a favor da narrativa. Se virar puro esteticismo, não serve para muita coisa. Se a história não emociona, não engaja, não adianta nada ter a melhor técnica do mundo”, conclui.




















