Brasiliense encontrou no teatro caminho para fugir do mundo das drogas
O brasiliense Guylherme Almeida estreou a peça Ípsilon neste fim de semana com uma história inspirada em conquistas de pessoas pretas

“Na minha casa, já houve situações em que drogas eram guardadas no meu quarto, caixa d’água, descarga… Um constrangimento atrás do outro. E o desprezo que eu sentia só me incentivava a não ter a mesma vida.” Essa é a fala do produtor e diretor Guylherme Almeida que, resume, de certa forma, a história dele.
Incentivado pela avó, que morreu em 2006, Guylherme optou pelas artes para seguir um rumo diferente do que assistiu ao longo da infância dentro de casa. Agora, aos 29 anos, estreia como diretor no espetáculo Ípsilon, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília. Na peça, o ainda jovem artista mostra a potência de seu trabalho com uma história inspirada em conquistas de pessoas pretas, como Carolina de Jesus, Mãe Carol Jemison e Judith Jamison.

A trama, no entanto, também conta com um traço pessoal. “Estava pesquisando conquistas de pessoas pretas. Durante os ensaios, meu pai desapareceu, e logo depois recebemos a notícia de que ele foi queimado vivo. Não seria honesto com o próprio processo de criação do Ípsilon não incluir esse ato trágico”, conta Guylherme em entrevista ao Metrópoles.
O corpo do pai dele, José Fernandes do Nascimento, foi encontrado carbonizado no Riacho Fundo I em setembro de 2022. Na época, a Polícia Civil informou que o homem tinha histórico de envolvimento com entorpecentes.
“A morte do meu pai é incluída logo no início do espetáculo de forma documental e ajuda a obra e o público a conhecer melhor a história da Carolyna (com Ípsilon)”, detalha o diretor.
O enredo de Ípsilon
Carolyna é a protagonista do espetáculo, uma astronauta que descobre que o município em que nasceu se tornou um aterro sanitário de pneus ao voltar para casa. Mas ela terá que enfrentar a dura realidade e dar a volta por cima, ao menos é a mensagem que Almeida deseja passar.

“[Quero mostrar] que os problemas vão continuar aparecendo e tudo pode piorar, mas precisamos continuar jogando, precisamos continuar tentando ficar bem e bonita.”
Após passagem por Brasília, a produção tem temporadas confirmadas no Rio de Janeiro, São Paulo e Argentina.
Ípsilon
Até 25 de agosto, de quarta a sábado, às 20h; e domingo, às 18h; no CCBB Brasília (SCES, trecho 2). Ingressos a R$ 15 a meia e R$ 30 a inteira. Não recomendado para menores de 16 anos.

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