Viúva de médico espera desfecho de crime: “Até agora, nada”

Viviane Santos Rodrigues irá com advogados à Delegacia de Polícia para pedir explicações sobre o assassinato

Nathália Cardim/MetrópolesNathália Cardim/Metrópoles

atualizado 03/12/2019 12:13

Uma semana após a morte do médico endocrinologista Luiz Augusto Rodrigues, 45 anos, que levou tiro na cabeça durante abordagem da Polícia Militar do DF (PMDF), na 315 Sul, a viúva, Viviane Santos Rodrigues, 44, (foto em destaque) ainda espera respostas sobre o desfecho do crime.

“A gente não teve nenhum parecer das autoridades competentes. Hoje (terça-feira), vamos à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) com os nossos advogados para ter uma explicação. Até agora, nada”, queixou-se.

Nesta quarta-feira (04/12/2019), está marcada a missa de sétimo dia de Luiz Augusto. A cerimônia será às 19h, na Paróquia Santo Antônio, na 911 Sul.

Como o endocrinologista é natural de Ceres (GO), amigos e familiares dele do município goiano também farão uma celebração em homenagem ao médico, na Igreja Matriz Nossa Senhora das Graças. O evento ocorrerá às 19h30 desta quinta-feira (05/12/2019).

Veja o convite:

Arquivo pessoal

 

“O Luiz era evangélico. Em respeito aos parentes, faremos tanto a missa de 7º dia como o culto de ação de graças. A celebração evangélica deve ocorrer na próxima semana”, explicou a viúva.

Ainda de acordo com Viviane, toda a família do médico está muito arrasada. “A mãe dele tem 73 anos. O pai, 85. Todos estamos sofrendo muito e precisamos fechar esse ciclo. Vamos unir as nossas forças nesse momento e lutar pela justiça dele.”

Ibaneis disse confiar na polícia

Na manhã desta terça-feira (03/12/2019). o governador Ibaneis Rocha (MDB) falou sobre o caso. “Eu tenho plena confiança na Polícia Civil. Ela está reinquirindo todos os policiais e coletando provas”, disse.

Segundo o chefe do Executivo local, a imprensa e a sociedade precisam ter paciência, pois a investigação carece de tempo para atingir resultados concretos. “Posso afirmar a vocês: no nosso governo não existe qualquer tipo de determinação e não vai existir para o acobertamento de qualquer irregularidade”, afirmou.

De acordo com o governador, “o crime assusta porque as pessoas não podem sair atirando de qualquer modo”. Contudo, o governador lembrou que na cena havia uma arma de fogo e pessoas com indícios de consumo de álcool.

Investigação

Versões divergentes, peças que não se encaixam e perguntas ainda sem respostas desafiam os investigadores da Polícia Civil a determinar, de fato, o que ocorreu momentos antes de o médico levar um tiro na cabeça e morrer.

Os militares do 1º Batalhão da PM (Asa Sul) que formavam a guarnição responsável pela abordagem ao médico serão reinquiridos nesta semana.

Algumas informações prestadas pelos policiais não batem e investigadores da 1ª DP querem esclarecer as contradições. O policial reformado que estava na companhia da vítima também foi intimado a ser interrogado novamente.

De acordo com informações apuradas pelo Metrópoles, o militar que efetuou os disparou contou em seu termo de declaração que mantinha a carabina calibre 5.56 apontada para o assoalho da viatura durante o patrulhamento. Os PMs patrulhavam a região próximo ao Teatro dos Bancários quando teriam avistado dois homens em atitude suspeita perto de uma caminhonete branca. Após fazerem a abordagem, segundo os policiais, um dos homens teria sacado um revólver e apontado para os PMs. Em seguida, um dos militares abriu fogo e atingiu o médico na cabeça.

O homem que estava com o endocrinologista é o policial militar reformado Ringre Pires, que portava uma arma calibre .38. Ele se aposentou em 2017 e passou a maior parte do serviço lotado no Batalhão de Choque da PMDF. O advogado do militar da reserva, Pedro Júlio Melo Coelho, afirma que seu cliente sacou a arma, mas a manteve em posição de segurança.

“Existe uma grande diferença entre apontar a arma e mantê-la em posição de segurança. Ele não ameaçou os militares que estavam na viatura. De qualquer forma, meu cliente irá prestar um novo depoimento, mas a versão será mantida”, afirmou o defensor.

Afastamento

Após o fato, a corporação informou que o PM que atirou no médico foi afastado das ruas. A PMDF também instaurou um inquérito policial militar para apurar a conduta do soldado. Por meio de nota, a Polícia Militar afirmou que o tiro foi dado “diante do risco iminente”. “Os policiais não tiveram alternativa e efetuaram dois disparos, que atingiram um dos homens.”

Na tarde dessa segunda-feira (02/12/2019), os investigadores da PCDF que colheram as primeiras gravações registradas por câmeras de segurança próximo ao local dos disparos analisaram as imagens. O objetivo era tentar identificar a dinâmica de como ocorreu a abordagem dos PMs e os dois disparos efetuados por um dos militares. No entanto, os vídeos não mostram com exatidão o momento em que o PM atira e o médico é atingido.

Os investigadores aguardam os laudos produzidos pelo Instituto de Criminalística (IC) tanto do local quanto no carro da vítima. O exame cadavérico feito no corpo do endocrinologista também poderá ajudar a determinar a distância do disparo e a trajetória do projétil.

Colaborou Francisco Dutra

 

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