“Violência é cometida por pessoas que os idosos mais amam”, diz delegada

A Operação Vetus, coordenada pelo Ministério da Justiça e realizada pela PCDF, combate crimes contra idosos. Até agora, houve 13 prisões

atualizado 04/12/2020 12:31

Reprodução/O Livre

Após deflagrar a Operação Vetus, em combate a crimes contra idosos em todo o país, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a delegada Ângela Maria, da Polícia Civil do DF (PCDF), analisou a peculiaridade dessa ação em relação às investigações de outros crimes. “A maioria da violência é cometida por pessoas que o idoso mais ama”, esclareceu a coordenadora da operação no DF, na manhã desta sexta-feira (4/12).

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Segundo ela, esse laço familiar e afetivo dificulta a investigação e a penalização dos agressores, uma vez que, conforme apontou a investigadora, muitas vítimas desistem de prosseguir com a denúncia que elas fizeram.

Decorrente das apurações da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), os abusos ocorrem, muitas vezes, devido a interesses nos benefícios dos mais velhos. “Geralmente, esses maus-tratos estão associados ao patrimônio, seja uma aposentadoria de um salário mínimo, seja, como observamos em um caso, de R$ 90 mil”, comenta Ângela.

Até o momento, a operação resultou na instauração de 148 procedimentos investigativos, com atendimento de mais de 576 pessoas idosas vítimas de violência e a prisão de 13 agressores, apenas na capital federal. Todas as ocorrências foram produzidas por meio de denúncias, que culminaram em mais de 520 visitas para constatar a veracidade das queixas.

Nesta sexta-feira (4/12), são realizadas mais 30 visitas em todo o Distrito Federal, com três equipes de policiais da Decrin. “Ele não é tão bom para mim, mas é minha companhia”, disse uma vítima aos agentes da corporação.

Durante as vistorias, os agentes observam a situação em que vivem os idosos. Além de checar a estrutura, se há comida, medicamentos ou machucados nas possíveis vítimas, eles tentam identificar outras formas de agressão. “Diminuir a autoestima e tirar a autonomia do idoso são formas de violência contra o idoso”, alerta Ângela. “Violências psicológicas são a porta de entrada para as demais violências”, conclui.

A delegada agradeceu o apoio de todas as delegacias de polícia bem como o da Secretaria de Justiça e de Desenvolvimento Social, ressaltando o “trabalho inédito de centralizar numa única operação todas as polícias civis do Brasil”, que teve adesão das corporações de forma facultativa, após iniciativa do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em decorrência do aumento de denúncias feitas pelo canal Dique 100.

 

 

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