Vídeo viral: socorrista do Samu acelerava para salvar mulher em parada cardíaca
Pilotos de motolâncias do Samu-DF viralizaram nas redes sociais com vídeo de corrida contra o tempo para salvar vida de paciente grave
atualizado
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O vídeo que viralizou nas redes sociais, mostrando dois socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-DF) abrindo caminho no trânsito da área central de Brasília, mostra a urgência de uma corrida contra o tempo. Os pilotos das motolâncias avançaram em alta velocidade para viabilizar o socorro de uma paciente em parada cardíaca.
Em meio aos carros, as motocicletas cortaram o tráfego para garantir a passagem da ambulância que transportava a mulher em estado grave.
A filmagem mostra as duas motolâncias bloqueando o fluxo de veículos em um dos sentidos da via, enquanto a ambulância chega a avançar pela contramão para agilizar o atendimento. A estratégia fazia parte da ação de emergência para levar a paciente ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran) no menor tempo possível.
Veja as imagens eletrizantes:
A gravação, marcada por momentos de tensão e adrenalina, foi feita em março deste ano. Na ocasião, a equipe do Samu-DF foi acionada para atender uma mulher de 29 anos que sofreu crise convulsiva, quadro que evoluiu para parada cardíaca.
Nem sempre notadas pela população nas ruas do DF, as motolâncias do Samu são sinônimo de agilidade e funcionam como um pronto-socorro em situações de emergência. Somente no ano passado, esse serviço foi responsável por 4.712 dos atendimentos de urgência na capital.
No total, são 23 técnicos de enfermagem e enfermeiros, que andam sempre em duplas, treinados para chegar o quanto antes e prestar o primeiro atendimento. Atrás delas, vem o restante dos servidores em ambulâncias.
Os socorristas que apareces na filmagem da cena de ação são Ademir Lourenzo de Oliveira, 45 anos, e Marcos Luiz Silva, 50. Eles são uma das duplas que compõem o Grupamento de Motociclistas em Atendimento de Urgência (Gmau).
“Um dos grandes diferenciais do serviço de motolância é o tempo-resposta. Você vê que faz diferença na vida das pessoas, porque conseguimos chegar muito rápido ao atendimento, seja em um trabalho de parto, acidente ou uma parada cardíaca. A primeira resposta é do grupo de motolâncias”, conta Ademir.
O técnico de enfermagem detalha que esse serviço permite que muitos casos sejam resolvidos na própria cena, evitando que pacientes ocupem leitos hospitalares desnecessariamente. Quando o transporte é inevitável, a motolância prepara e estabiliza o paciente para que a ambulância complete o trajeto com maior segurança.
Ataduras, desfibrilador, monitor cardíaco, material de parto e uma diversidade de medicamentos vão no baú das motos para garantir o atendimento pré-hospitalar necessário.
Além de prestarem socorro, as motolâncias atuam abrindo caminho no trânsito para as ambulâncias. As manobras precisas vistas no vídeo não são fruto de imprudência, mas de “treinamento constante”. Ademir reforça que a segurança da equipe, do paciente e dos demais motoristas é a prioridade.
Sobre a relação com os motoristas brasilienses, ele destaca que o trabalho das motos também serve para alertar quem está no volante.
“Às vezes, o motorista está com som alto ou desatento. A gente auxilia os usuários da via para que percebam que um veículo de emergência está passando”, explica.
Segundo o técnico de enfermagem, a agilidade na escolta é crucial porque, após a estabilização inicial, o diagnóstico da causa de uma parada cardíaca, por exemplo, só pode ser feito com exames hospitalares. “Se não chegarmos rápido ao hospital para tratar a causa, ela pode evoluir para uma nova parada”, frisa.
“Heróis”
O que começou como uma ferramenta didática para revisar procedimentos e compartilhar experiências com colegas de outros estados transformou-se em um fenômeno motivacional. O perfil de Ademir no Instagram, que já acumula mais de 25 mil seguidores, serve de vitrine para o trabalho do Gmau.
“Muita gente nem sabia que tinha o serviço de motolância. Hoje, os vídeos inspiram outras pessoas a quererem ingressar na área. Recebemos muitas perguntas de como trabalhar no Samu”, conta.
Com mais de duas décadas na Secretaria de Saúde e desde 2009 no Samu, Ademir resume o sentimento de quem atua na linha de frente sobre duas rodas: “Independentemente da ocorrência, da mais simples à mais grave, o que importa é chegar e fazer a diferença na vida daquela pessoa. Isso, para a gente, é a gratidão e a sensação de dever cumprido.”
E o desfecho do atendimento que viralizou não poderia ter sido melhor. A paciente entrou em contato pelas redes sociais para agradecer a Ademir. “Você salvou minha vida. Sou muito grata. Se hoje estou aqui, é graças a anjos como você que estiveram comigo naquele momento”, escreveu ela.
Para Ademir, embora o público use o termo “heróis” ou “anjos da guarda”, a palavra de ordem é “preparação”.
“Não tem esse negócio de herói. A gente é preparado para atuar nessa função, somos treinados para que isso aconteça. A gente fica muito feliz com o retorno dos pacientes, claro”, destaca.













