Vídeo: perita da PCDF alerta sobre riscos ao usar o álcool em gel

Depois de passar o produto nas mãos é preciso ter cuidado ao acender um cigarro ou o fogão da cozinha

policialArquivo pessoal

atualizado 01/04/2020 9:50

Com a pandemia do novo coronavírus, o álcool em gel 70% ficou escasso no mercado. Isso porque a procura pelo item, que ajuda no combate à Covid-19, aumentou exponencialmente. Mas quem conseguiu precisa ter cuidado.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, a perita criminal da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) Camila Guesine, especialista em incêndio e explosão, alerta para riscos e cuidados que todos devem ter ao manusear o produto.

Camila explica que as chamas não são visíveis no gel. Ela demonstra que, ao entrar em contato com um papel, por exemplo, o produto pode dar inicio a um incêndio.

“Álcool gel é para ser usado somente quando não tiver água e sabão disponível. Imagina: você vai cozinhar alguma coisa com braços e mãos cheios de álcool e acende a chama do fogão. A sua mão pode inflamar e pegar fogo”, aponta a perita.

“Há a possibilidade de acontecer muitos acidentes. Temos que nos atentar para utilizá-lo da forma correta”, continua.

Veja vídeo:

 

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Ainda de acordo com Camila, os pais precisam ficar atentos aos locais onde guardam os materiais inflamáveis. Alguns possuem aromas artificiais e cores que chamam atenção das crianças.

“Além da inflamabilidade, eles podem acabar ingerindo. Os sintomas vão ser de uma pessoa alcoolizada. Então, vamos tomar cuidado. O álcool esta aqui para nos ajudar e não para que a gente se acidente”, completou.

Queimaduras

O alerta também foi feito pelo gerente de fiscalização do Conselho Regional de de São Paulo, Wagner Contrera, que é também suplente do Conselho Federal de Química.

Contrera disse ter recebido relatos sobre o uso exagerado do produto. “Neste momento de tensão, em que todos estão com medo da Covid-19, muitas pessoas cometem excessos. Usam máscaras até quando dirigem sozinhas no carro”, lembra.

“No caso do álcool em gel, as pessoas usam em grande quantidade e a todo momento. Aí esquecem e vão acender um cigarro ou mesmo o fogão, para preparar as refeições. É um verdadeiro perigo”, disse o gerente do conselho de química.

Segundo Contrera, entidades ligadas a tratamentos de queimaduras relatam casos de pessoas que se acidentam ao se aproximar de fontes de calor, logo após passar álcool gel nas mãos. “O gel também é inflamável e, conforme mostram as embalagens, não pode ser deixado ao alcance de crianças nem de animais domésticos.”

Produto falsificado

“Se o produto industrializado já é perigoso, o que dizer do falsificado?”, alertou Wagner Contrera. No caso do álcool em gel falsificado – ou mesmo dos caseiros, que seguem receitas disponibilizadas na internet –, os riscos são ainda maiores, colocando em perigo não só a vida do consumidor como a do fabricante e a do vendedor.

“Mesmo que a pessoa tenha a receita, há que se considerar vários outros fatores, inclusive a matéria-prima utilizada. Se elas não são fáceis de ser compradas por empresas legalizadas, imagina por leigos”, aponta.

O químico critica quem se acha “genial” por misturar álcool líquido com gelatina ou gel para cabelo. “É tudo conversa fiada de pessoas que, infelizmente, se acham geniais por inventar isso em cinco minutos de reflexão. A manipulação por pessoas não preparadas é de extremo perigo”.

Efeito oposto

Segundo o químico, dependendo do caso, produtos falsificados ou feitos em casa podem ter efeito oposto ao da assepsia, por desenvolver microrganismos. “O álcool em gel é produzido a partir de álcool com alta concentração, uma mistura que fica em 70%. Quando feito por processo industrial, há todo um cuidado”, lembra.

“Mas,se feito em casa ou de forma improvisada, é extremamente perigoso, por se tratar de um produto altamente inflamável. Não à toa, a Anvisa publicou, há quase 20 anos, uma resolução proibindo a venda de álcool líquido acima de 54 graus nos mercados”, argumentou.

Ele explicou que é muito difícil identificar a olho nu as diferenças entre o produto legal e o falsificado. “Em alguns casos, quando a falsificação é grosseira, dá para se notar na embalagem. Em outros casos, e já vimos isso até mesmo em shampoos e produtos de limpeza, a embalagem é tão bem feita que o consumidor acaba não percebendo.”

Como diferenciar o falso do verdadeiro?

Coordenador da Divisão de Química Tecnológica do Instituto de Química, da Universidade de Brasília, o professor Floriano Pastore afirma que, normalmente, ao se colocar gelatina em uma solução aquosa, ela fica mais viscosa.

“E se essa solução tiver um pouco de álcool, vai ter cheiro típico de álcool em gel. No entanto, não terá a principal característica, que é o porcentual aproximado de 70% de etanol, para proporcionar a qualidade bactericida e desinfetante ao produto.”.

Uma boa dica é levar em consideração o local onde o álcool em gel está à venda. O ideal é comprar em farmácias e supermercados, ou estabelecimentos similares, que respondem pela garantia do produto, evitando adquiri-lo no mercado informal.

Além de representar riscos para quem o manipula, fabricar e comercializar álcool gel falsificado é crime, passível de punição tanto pela autoridade sanitária como, administrativamente, pelos conselhos regionais e federal de química.

“Tanto quem fabrica como quem comercializa está praticando crime contra a saúde pública, e respondem por isso. E se houver envolvimento de um profissional de química, nosso conselho abre processo administrativo paralelo ao criminal. Se ele for conivente, poderá ser suspenso ou impedido de exercer a profissão”, disse Contrera.

Segundo o químico, só empresas registradas junto à Anvisa, e tendo profissional responsável técnico, têm autorização para fabricar álcool gel.

Com informações da Agência Brasil

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