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Distrito Federal

Curso para vigilantes do TST termina com bomba e confusão

Profissionais denunciam que bomba de gás com spray de pimenta foi deflagrada em sala com 41 vigilantes. PCDF investiga

11/02/2020 11:06, atualizado 11/02/2020 17:24
Reprodução
Curso para vigilantes do TST termina com bomba e confusão

Um curso de reciclagem para vigilantes terceirizados responsáveis pela segurança de ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) terminou em pancadaria e virou alvo de investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O episódio ocorreu no último sábado (08/02/2020) e é apurado pela 23ª Delegacia de Polícia (P Sul).

Veja: 

Vigilantes que participaram da aula relataram ao Metrópoles que a confusão teve início após acionarem uma bomba de gás com spray de pimenta dentro de uma das salas. O responsável seria, supostamente, um instrutor da Academia Peritus, em Ceilândia, onde o curso era realizado.

Mais de 40 profissionais estavam dentro do cômodo nesse momento. Eles participavam de formação exigida a cada dois anos. Nos encontros, os trabalhadores aprendem sobre assuntos referentes à segurança pessoal. O cronograma das aulas aborda desde noções de direito, manuseio de arma, defesa pessoal a treinamentos de tiro e mobilização tática.

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De acordo com um dos trabalhadores, o expediente já encerrado quando o episódio ocorreu. “Nós tínhamos terminado a prova escrita e fomos liberados para descer. Em outra sala, estava ocorrendo um curso paralelo, de armas não letais. Do nada, os alunos desse curso apareceram na nossa sala e deflagraram a bomba”, explica um terceirizado que não quis ser identificado.

O vigilante afirma que, após o acionamento do armamento, os demais ocupantes da sala se sentiram mal. “Foi jogada essa bomba de efeito moral e privaram nossa liberdade. O pessoal começou a passar mal, tentou correr para locais mais arejados, mas mesmo assim todos foram atingidos pelo gás tóxico.”

Mais exaltados, alguns dos presentes no cômodo deram início à confusão. “Eu reagi, alguns colegas também. Estávamos tentando sair da sala. Não tem justificativa sobre o porquê isso teria acontecido. As pessoas passaram mal, tiveram cefaleia. Eu precisei ir ao hospital fazer um exame médico”, finalizou o profissional.

Em vídeo gravado pelos trabalhadores, é possível observar os ocupantes da sala passando mal e tossindo bastante. A gravação também mostra parte da troca de agressões.

Investigação

Após saírem da sala, vigilantes se dirigiram à 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) para registrar boletim de ocorrência. A comunicação foi feita às 22h de sábado (08/02/2020). Segundo a PCDF, os comunicantes da denúncia foram encaminhados ao Instituto de Medicina Legal (IML). O caso, agora, será apurado pela 23ª DP.

Ao Metrópoles, o Sindicato dos Vigilantes do DF (Sindesv-DF) afirmou ter tomado conhecimento da denúncia. De acordo com o diretor de comunicação e imprensa da entidade, Gilmar Rodrigues, o Sindesv levará o caso à Polícia Federal (PF).

O outro lado

Os trabalhadores são contratados pela Multiserv. Por telefone, o diretor do grupo afirmou à reportagem que ainda não havia sido comunicado sobre o episódio, que classificou como “natural”.

“A academia em questão é uma empresa credenciada pela Polícia Federal. Não tive informações sobre o fato que me relatou, mas, provavelmente, o uso do gás está dentro da grade curricular. Então, é uma coisa natural, faz parte para a turma saber o potencial desse armamento. A Multiserv contratou uma empresa regular, mas vamos entrar em contato com academia”, explicou o gestor Luiz Gustavo Barra.

Procurada pela reportagem, a Academia Peritus afirmou ter aberto sindicância interna para apurar o episódio. Disse ainda que o procedimento apontou, preliminarmente, que um aluno do curso teria acionado o armamento, “sem autorização, consentimento e conhecimento da escola”.

“Informamos ainda que não sabemos a origem desse material, ficando a cargo da Polícia Civil, a averiguação do mesmo. O uso do gás foi feito sem que o professor estivesse em sala de aula, uma vez que o mesmo estava na coordenação”, manifestou-se a empresa no documento.

Acionados, a PF e o TST não haviam retornado à demanda até a última atualização da reportagem.