Três servidores presos por fraudes em licitações do GDF são exonerados

Eles trabalhavam nas administrações de Águas Claras e do Gama, e são investigados na Operação Monopólio, deflagrada nesta quinta (26/7)

JP Rodrigues/Especial para o MetrópolesJP Rodrigues/Especial para o Metrópoles

atualizado 15/04/2019 17:30

Três servidores alvejados pela Operação Monopólio, realizada na manhã desta quinta-feira (26/7), foram exonerados à tarde. Eles estavam lotados nas administrações do Gama e de Águas Claras. Segundo as investigações, os funcionários se aproveitavam dos cargos que ocupavam em órgãos do Governo do Distrito Federal (GDF) para fraudar licitações realizadas pelo próprio governo.

As investigações da Polícia Civil mostram que empresas teriam combinado a participação em licitações para realizar obras públicas totalizando R$ 55 milhões. Durante a operação, foram cumpridos 18 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Criminal de Brasília.

Entre os detidos, estão o ex-administrador e ex-presidente da Associação Comercial de Taguatinga Márcio Hélio Guimarães e o filho dele, Márcio Hélio Guimarães Júnior, suspeitos de liderarem o esquema, que começou em 2011 e perdurou até os dias atuais.

Além de serem desligados do serviço público, a Justiça autorizou o bloqueio de bens dos acusados. Na ação, os investigadores apreenderam sete veículos de luxo e R$ 40 mil em dinheiro.

Operação Monopólio
Segundo as investigações, as fraudes ocorriam após as concorrências públicas realizadas por meio de carta-convite, modalidade na qual as empresas são convocados a apresentar propostas de preço. As companhias participantes eram formadas sempre pelo mesmo grupo e tinham a garantia de vitória nos certames.

A organização teria fraudado licitações de obras pequenas, como construções de quadras poliesportivas, parquinhos e instalações de meios-fios. Os serviços prestados eram de baixa qualidade, causando grande prejuízo ao erário. No total, foram R$ 55 milhões em contratos firmados entre essas empresas e as administrações, de 2011 a 2018.

O grupo, segundo a polícia, já atuava em outros certames públicos, como tomadas de preços e concorrências. As fraudes não têm relação com o cargo ocupado por Márcio Guimarães quando era administrador de Taguatinga. Na garagem da casa do ex-gestor, os policiais apreenderam quatro veículos – juntos, eles custam cerca de R$ 1 milhão.

 

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) analisou 259 licitações, entre 2011 e este ano, nas quais o grupo foi vencedor. Em 128 delas, duas ou mais empresas ligadas a Guimarães competiam para fechar contrato. Os acusados foram indiciados por organização criminosa – com aumento de pena em razão da participação de funcionário público –, fraude à licitação, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva. A soma das penas máximas dos crimes imputados aos investigados pode chegar a 30 anos.

A PCDF recolheu, durante a ação, muitos documentos, HDs externos e pendrives, que serão analisados e poderão levar a novo desdobramento da investigação.

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