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A Polícia Civil faz uma operação nesta quinta-feira (26/7) contra fraudes em processos de licitações realizados pelo Governo do DF. As investigações mostram que empresas, em conluio, teriam combinado a participação em concorrências para realizar obras públicas no valor de R$ 55 milhões. Dezessete pessoas foram presas, entre elas o ex-administrador de Taguatinga e empresário Márcio Guimarães, e o filho dele.

Três servidores do GDF também são alvo da operação. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, os integrantes da organização concorriam em licitações de valores pequenos, por meio de carta convite, modalidade na qual as empresas são convocados a apresentar propostas de preço.

De acordo com a PCDF, Márcio Guimarães teria criado um grupo de empresas, em nome de laranjas, para disputar licitações nas administrações regionais, com preços definidos pelos próprios contratados, em seleções direcionadas.

A Polícia Civil analisou 259 licitações, entre 2011 e este ano, onde o grupo foi vencedor. Em 128 delas, duas ou mais empresas ligadas a Guimarães competiam para fechar o contrato.

Os mandados – 18 de prisão e 24 de busca e apreensão – foram expedidos pela 3ª Vara Criminal de Brasília. A operação foi batizada de Monopólio.

Os mandados foram cumpridos nas administrações regionais do Gama e de Águas Claras, em empresas vinculadas ao grupo criminoso e nas residências dos investigados localizadas no DF e em Goiás.

Os acusados foram indiciados pelos crimes de organização criminosa com aumento de pena em virtude da participação de funcionário público, fraude à licitação, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva. A soma das penas máximas dos crimes imputados aos investigados pode chegar a 30 anos.

Segundo informou a PCDF, por meio de nota, “ficou demonstrado que empresas eram registradas em nome de ‘laranjas’ apenas para participarem da concorrência e dar ar de legalidade ao certame. Porém, todas eram, na verdade, vinculadas à associação criminosa”.

Velho conhecido
Em junho de 2016, Márcio Guimarães foi alvo de operação semelhante, a Apate. Na época, a polícia também investigava indícios de fraudes em licitações. Segundo os cálculos da polícia, mais de R$ 250 milhões foram desviados entre 2012 e 2014, em contratos de 19 administrações regionais.

Em 2013, entrou na mira da Operação Átrio, responsável por apurar a venda de alvarás de funcionamento em Taguatinga e Águas Claras. Em virtude dessa diligência, tornou-se réu em uma ação penal que tramita na 2ª Vara Criminal da região administrativa já comandada por Guimarães.