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Transporte

Sem consenso, projeto do Uber volta ao plenário da Câmara Legislativa

Movimentação de motoristas do aplicativo e de taxistas começou cedo nesta quarta-feira (22/6) na tentativa de pressionar os distritais

22/06/2016 14:28, atualizado 22/06/2016 16:11
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Michael Melo/Metrópoles
Sem consenso, projeto do Uber volta ao plenário da Câmara Legislativa

Depois de tentar sair da garagem, mas ter o freio de mão puxado, a regulamentação dos aplicativos de transporte individual privado, como o Uber, voltou a mobilizar a Câmara Legislativa nesta quarta-feira (22/6). Taxistas e condutores do Uber chegaram cedo para tentar convencer deputados de incluírem emendas nos projetos que serão debatidos à tarde. Até o momento, existem três proposições que podem ser levadas ao plenário, a partir das 15h. Um substitutivo dos deputados Sandra Faraj (Solidariedade) e Cristiano Araújo (PSD), outro do deputado Rodrigo Delmasso (PTN) e o PL 777/2015 da forma como foi elaborado pelo Executivo.

Para evitar novos confrontos, como os de terça (21), a Polícia Militar separou espaços bem distantes para cada uma das categorias acompanhar a votação. Dois telões foram instalados em cada lado. A polícia isolou a entrada do prédio da Câmara Legislativa com fitas para ajudar no controle do local. Em clima de paz e amor, balões brancos foram distribuídos para inspirar os mais exaltados (foto de destaque).

A proposição mais simples, e que deve servir de parâmetro, é a dos deputados Sandra Faraj e Cristiano Araújo. Eles discutem junto com Rodrigo Delmasso, Júlio César (PRB) e professor Israel Batista (PV) um texto que chegue perto do consenso. Porém, com 50 emendas a serem debatidas, o entendimento é uma meta difícil de alcançar. A manhã foi de intensos debates. Pontos como o tamanho dos veículos a serem usados, as taxas a serem cobradas pelo governo e a limitação do número de veículos chegarão ao plenário para serem votados e discutidos.

A probabilidade é que os deputados a favor do Uber X, que tem tarifas mais baratas, tentem reduzir o tamanho dos veículos, previsto no projeto, de 2.600mm para 2.400mm. Assim, conseguiriam incluir carros populares e hatch. Com 2.600 mm, somente veículos sedãs rodariam. Há, ainda, a defesa da liberação do número de carros. No entanto, o substitutivo em discussão prevê a limitação, tendo como base um carro para cada 500 habitantes, o que resultaria em 5.400 veículos, se considerada a população de 2,7 milhões de habitantes do Distrito Federal. Existem hoje no mercado 3.400 permissões de táxis e cerca de 4 mil condutores de Uber rodando na cidade.

Michael Melo/Metrópoles
Telões foram instalados do lado de fora da Câmara para que a votação possa ser acompanhada

Sem consenso
Os votos da Frente Parlamentar em Defesa da Utilização de Aplicativos para Transporte Individual, presidida pelo professor Israel Batista, são insuficientes. Além do distrital, o grupo é formado por Celina Leão (PPS), Cláudio Abrantes (Rede), Reginaldo Veras (PDT), Luzia de Paula (PSB), Roosevelt Vilela (PSB), Chico Leite (Rede), Sandra Faraj e Cristiano Araújo. Eles apoiam a liberação do Uber, com os parâmetros como o serviço já funciona hoje e com as determinações que possibilitem a continuidade do Uber X.

No entanto, a parte mais conservadora, como os deputados Chico Vigilante (PT), Ricardo Vale (PT)e  Agaciel Maia (PR) defendem que somente o projeto do Executivo seja aprovado. Além de serem a favor do Uber Black, eles acreditam que um substitutivo com tantos detalhes, como a definição de taxas, será considerado inconstitucional, pois é atribuição do Executivo legislar sobre o assunto. Rodrigo Delmasso, que sempre esteve a favor dos taxistas, também fez um substitutivo.

Atualmente, os principais pontos pacificados são a possibilidade de taxistas desligarem o taxímetro e atuarem como Uber, além da necessidade de regulamentação do sistema para que os impasses sejam resolvidos e os ânimos nas ruas se acalmem.

Expectativas
Do lado de fora da Câmara, cerca de 40 motoristas do aplicativo Uber fazem plantão desde a manhã. Para um dos condutores, Daniel Silva, a disputa segue por um caminho equivocado. “Não queremos uma briga entre empresa privada e táxis, como tem sido feito. Acredito que é possível criar condições para uma competição justa, que não seja baseada em preços, mas em qualidade de serviço. Assim seria bom para profissionais e para o público”, analisa.

Enquanto isso, representantes dos taxistas circulam nos corredores da Câmara, de gabinete em gabinete, para tentar convencer parlamentares de incluírem emendas à favor da categoria. Entretanto, para a presidente do Sindicato dos Taxistas, Maria do Bonfim, até o momento as posições são incertas. “Não vemos consenso em quase nada. Os deputados devem levar o debate para a votação mesmo”, afirmou.