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O rompimento do cabo de fibra óptica paralisou o trecho entre as estações Central, na Rodoviária do Plano Piloto, e Arniqueiras, em Águas Claras, nesta segunda-feira (9/4). Por volta do meio-dia, após seis horas de interrupção do sistema, a Companhia do Metropilitano informou que a circulação de toda a via voltou ao normal, com exceção das proximidades da Estação Feira, onde os trens ainda trafegavam em velocidade reduzida.

De acordo com o chefe do Departamento de Operações da empresa, Victor Mafra, após avaliação técnica, ficou constatado que não houve furto de cabos de cobre como havia sido informado. “O cabo de fibra óptica se rompeu e isso causa um problema na sinalização entre as estações, bem como no sistema de rádio, telefonia e dados”, assinalou durante coletiva de imprensa.

Os cabos foram rompidos em dois pontos no trecho de aproximadamente 80 metros entre as estações Arniqueiras e Guará. “Uma ação humana ocasionou o rompimento, mas não sabemos se quem fez isso queria furtar ou fazer algo contra o sistema. A Polícia Civil foi acionada e investigará o caso”, ressaltou Mafra.

Também existem cabos com cobre dentro das canaletas, mas eles não foram retirados. No mercado, eles valem mais do que os de fibra óptica. A equipe de manutenção está no local e avalia a extensão dos danos.

A Companhia do Metropolitano fez contato com o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) para que as linhas de ônibus entre Arniqueiras e o Plano Piloto fossem reforçadas. “Com o rompimento desse cabo, fica impossível o rastreamento dos trens (saber a localização de onde estão dentro do túnel). Dessa forma, a operação precisou ser paralisada por questão de segurança”, acrescentou Mafra.

Segundo informou o Metrô-DF, durante toda a manhã, os trens circularam somente entre Arniqueiras, Samambaia e Ceilândia. Nos demais trechos, os trens, a via e o centro de controle não conseguiam manter contato e, por isso, 10 estações ficaram fechadas. Resultado: ônibus lotados e congestionamentos quilométricos em diversos pontos do Distrito Federal.

Em 2017, foram registrados sete casos de vandalismo e furto a cabos de energia e cobre no Metrô-DF. Pela primeira vez, houve rompimento de cabos de fibra óptica.

 

O problema ocorreu um dia depois de os metroviários do Distrito Federal decidirem, em assembleia, dar uma semana de prazo ao Governo do Distrito Federal (GDF) para que sejam atendidos os pleitos da categoria. Caso contrário, prometem greve a partir da 0h da próxima segunda (16). Nova reunião dos trabalhadores está marcada para domingo (15).

Faixas liberadas
Por conta da falha, o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER) liberou as faixas exclusivas da EPTG e EPNB até as 23h59. De acordo com o Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), as faixas da W3 Norte, W3 Sul e Setor Policial também foram liberadas. Mas, atenção: a faixa exclusiva do BRT não foi liberada.

A servidora pública Celena Bastos, 69, saiu de casa mais cedo para resolver um problema antes de ir ao trabalho. “Não vou conseguir. Se fosse de metrô, daria tempo. Agora, vou ter de adiar o compromisso. Vira e mexe tem problema no sistema, né?  A população fica prejudicada. O jeito é ir de ônibus”, disse.

Por volta das 11h40, ao chegarem à Estação Guará, os usuários eram informados de que os trens estavam fora de circulação. “Não sabia da situação”, disse o estudante Matheus Gabriel da Silva Rodrigues, 18, que seguia para a Rodoviária.

Falhas recorrentes
No dia 28 de fevereiro, moradores de Águas Claras ficaram assustados com o forte barulho causado por uma composição do metrô que saiu dos trilhos na chegada à Estação Arniqueiras, sentido Plano Piloto.Segundo Carlos Alexandre da Cunha, diretor do Departamento de Operação e Manutenção do Metrô-DF, dois trens apresentaram falhas no freio durante o trajeto, o que pode ter causado o descarrilamento.

Os transtornos provocados devido a problemas no metrô têm se tornado cada vez mais frequentes. No ano passado, os 160 mil brasilienses que usam o sistema diariamente enfrentaram média de uma falha a cada cinco dias.

Em 2017, a Companhia do Metropolitano registrou 73 falhas. O número é maior do que o computado em 2016 (56) e em 2015 (48). Em 2018, foram pelo menos oito.