Metrô-DF: sobe para 96 número de processos disciplinares pós-greve

Segundo a empresa, funcionários são lotados nas bilheterias das estações e não compareceram ao trabalho. Entrada gratuita aumenta prejuízo

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 22/07/2019 16:00

A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) aumentou para 96 o número de processos administrativos disciplinares (PADs) abertos contra funcionários da empresa que não ocuparam postos nas bilheterias das estações. Na última sexta-feira (19/07/2019), eram 53 processos.

De acordo com a empresa, a quantidade diz respeito apenas àqueles que não exerceram suas funções na quinta (18/07/2019) e na sexta (19/07/2019), quando a Justiça do Trabalho determinou o fim da greve. Ainda segundo o Metrô-DF, também serão apuradas as informações sobre ausências do fim de semana.

A companhia informou nesta segunda-feira (22/07/2019) que o número de empregados continua reduzido e que aumentou o índice de absentismo (falta) dos que atuam na operação. No turno da manhã desta segunda, dos 87 empregados previstos, somente 64 se apresentaram ao trabalho. Ao todo, foram 23 ausências (11 licenças médicas, três atestados de comparecimento, três atestados de acompanhamento e seis não informaram o motivo da falta).

Das 24 estações abertas, cinco tiveram que liberar acesso gratuito aos usuários porque alguns empregados seguiram a orientação do Sindicato dos Metroviários (SindMetrô) e não abriram o caixa das bilheterias. As estações com liberação de acesso aos usuários foram: 102 Sul, 114 Sul, Guariroba e Ceilândia Norte.

Privatização

Pelas contas do GDF, a Companhia do Metropolitano precisa de R$ 2 bilhões para manutenção e prestação de serviços de qualidade. Segundo o governador Ibaneis Rocha (MDB), a cifra é uma das justificativas para a privatização da estatal. O emedebista lançou, nesta segunda-feira (22/07/2019), os estudos para a concessão e criticou o Sindicato dos Metroviários pelas falhas na operação do sistema após o fim da última greve.

“Infelizmente, o sindicato não tem compreendido que esse governo veio para mudar. Está trabalhando contra o Metrô e seus próprios empregados. Porque ele [o sindicato] sabe muito bem que não existe capacidade de investimento. E se não buscar isso na iniciativa privada, a empresa realmente quebra e todos vão ficar desempregados”, frisou Ibaneis.

Segundo o chefe do Executivo local, o governo poderá criar um novo órgão para o sistema metroviário. Nesse contexto, considera que o investimento em infraestrutura da rede, na extensão das linhas, continuará sendo público. Enquanto a manutenção e a operação seriam privatizadas.

Não há ainda data para a privatização. Nesse sentido, Ibaneis vem sendo cobrado pelos metroviários, tendo em vista que, durante a campanha de 2018, ele declarou diversas vezes que não iria conceder a estatal à iniciativa privada. “Falei porque não conhecia a situação do Metrô. Então, eles também foram falsos comigo a partir do momento em que não colocaram a real situação”, argumentou.

Ibaneis subiu mais o tom contra as falhas na prestação de serviços após o fim do greve. “Quem não quer trabalhar vai ter o quê? Ponto cortado. Quem não quer trabalhar vai responder a processo administrativo que pode levar a demissão por justa causa”, ameaçou. Salientou ainda que o GDF está amparado por decisões judiciais.

Até demissão

Os processos podem resultar em desde simples advertências a demissões por justa causa. O SindMetrô orientou os agentes de bilhetagem a não abrirem os guichês até que a empresa retorne um dos benefícios extintos com a suspensão do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Com o cancelamento do acordo, extingue-se também o direito à “quebra de caixa” dos trabalhadores – valor (que chega a R$ 500) destinado a cobrir eventuais diferenças no fechamento das contas.

“A direção do Metrô tomará medidas cabíveis em relação aos empregados que se recusaram a cumprir seu dever funcional, inclusive quanto aos prejuízos causados ao erário. O fato de não possuírem mais direito à percepção do benefício denominado “quebra de caixa” não os exime de sua atribuição constante em contrato de trabalho, ainda que não esteja mais em vigência acordo coletivo de trabalho”, pontuou a empresa por meio de nota.

Segundo a diretora de Comunicação e Mobilização do sindicato, Renata Campos, a instauração dos PADs é mais uma medida de pressão sobre a categoria e caracteriza assédio moral. “Não houve uma comunicação oficial informando que não haveria mais o ressarcimento. Nós vamos mover um processo por assédio moral coletivo contra a empresa”, destacou a sindicalista.

Paralisação recorde

A greve chegou ao fim após 77 dias de paralisação. A categoria voltou ao trabalho um dia depois de o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), endurecer contra o movimento, que causou, de acordo com a empresa, prejuízo de mais de R$ 9,3 milhões ao sistema.

Os metroviários resumem as reivindicações da categoria a três pontos centrais. O primeiro é a manutenção do Acordo Coletivo de Trabalho, vigente por mais dois anos: a empresa propôs a prorrogação por mais um ano. O segundo tópico diz respeito ao descumprimento da jornada de trabalho dos pilotos, reduzida de oito para seis horas em 2010. Por fim, os empregados pedem o pagamento da terceira parcela do reajuste concedido aos servidores.

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