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Nos últimos anos, os gastos de manutenção do Governo do Distrito Federal (GDF) com o Metrô-DF sofreram redução sucessiva. Enquanto em 2015, no início da gestão Rodrigo Rollemberg (PSB), o Executivo gastou R$ 174,4 milhões, em 2016 a cifra caiu para R$ 129,3 milhões. Em 2017, foram executados R$ 106,9 milhões.

A perspectiva para 2018 é ainda pior: segundo o atual contrato do governo com a Companhia do Metropolitano, os gastos com a manutenção do transporte serão de R$ 48 milhões, cerca de R$ 4 milhões mensais – uma queda de 72,4% em relação a 2015. E isso se observa no ano em que o sistema, o qual transporta em média 160 mil passageiros por dia, começou com um incidente grave: o descarrilamento de três vagões, durante trajeto em Águas Claras, na manhã de quarta-feira (28/2).

A verba destinada ao Metrô é usada para a prestação de serviços de manutenção de material rodante, sinalização e controle de tráfego, sistema de ventilação dos túneis, sistemas de transmissão de dados, rádio e telefonia, entre outros. Serviços que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF), ficam prejudicados com os sucessivos cortes de recursos.

A situação favorece a ocorrência de problemas. Conforme o Metrópoles noticiou no dia do acidente em Águas Claras, os brasilienses que usam o sistema diariamente enfrentaram, no ano passado, média de uma falha a cada cinco dias.
A falta de investimentos e manutenção resulta em falhas recorrentes. A capacidade técnica do atual contrato de manutenção já foi questionada na Câmara Legislativa. Agora, encaminharemos essa dúvida ao Tribunal de Contas do DF"
Leandro dos Santos, secretário de Assuntos Jurídicos do SindMetrô-DF

Segundo Santos, meses antes do acidente em Águas Claras, já havia um alerta sobre a falta de prevenção, inspeção, verificação de trincas e substituição de trilhos. Seis meses antes de a composição descarrilar, um piloto encaminhou demanda ao Metrô-DF, pedindo respostas e medidas emergenciais para a manutenção em trilhos do transporte. O profissional descreveu que a estrutura estava deteriorada.

Outro lado
Por meio de nota, o GDF desvinculou o incidente de quarta-feira (28) à redução nos contratos de manutenção ao longo dos últimos anos. Conforme afirmou, “todas as manutenções são programadas e realizadas com rigor pela empresa contratada, e o Comitê Permanente de Segurança do Metrô-DF investiga as causas do descarrilamento”.

O governo enfatizou ainda que a redução do gasto com manutenção entre 2015 e 2017 se deve à alteração do modelo de contratação, de acordo com orientação dos órgãos de controle do Distrito Federal.

“A determinação é que fosse parcelado em diversos lotes, com algumas das tarefas antes realizadas pelo Consórcio Metroman sendo incorporadas às atividades do Departamento de Manutenção, onde a equipe do Metrô-DF passou a ter mais envolvimento e ampliou a gestão e controle sobre as atividades de manutenção. O desmembramento permitiu a ampliação da concorrência, com a participação de várias empresas do ramo”, diz a nota do GDF.

Expansão
Mesmo diante de falhas constantes, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) anunciou recentemente que obras de expansão do Metrô do Distrito Federal deverão ter início até o fim do ano. Ao todo, o DF deverá receber R$ 315,5 milhões do governo federal para ampliar e modernizar o sistema.

Desse montante, R$ 186,5 milhões vão para a construção de mais duas estações em Samambaia, e R$ 129 milhões serão destinados para promover melhorias na Linha 1. O restante, R$ 17,7 milhões, será remetido à obra do viaduto próximo ao Parque da Cidade.