Detran-DF arrecadou R$ 433 milhões com serviços e multas até novembro
Desse total, R$ 112 milhões se referem apenas às multas. Número é o maior desde 2013, quando foram registrados R$ 117 milhões

De janeiro a novembro de 2017, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) arrecadou R$ 433 milhões – sendo R$ 320 milhões apenas com os serviços prestados. Com as multas aplicadas ao longo dos 11 meses, o órgão pôs nos cofres cerca de R$ 112 milhões. O valor só não ultrapassa os números de 2013, quando foram registrados R$ 117 milhões.
A prestação de contas está disponível no site do Detran, onde também é possível ver os documentos dos anos anteriores. No cumulativo até novembro de 2017, o Detran já arrecadou 5,6% a mais do que em todo o ano de 2016, quando o total da receita foi de R$ 410 milhões.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a receita arrecadada com a cobrança de multas deve ser aplicada “exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito”.
O diretor-geral do Detran, Silvain Fonseca, contudo, lembra que 5% dos valor arrecadado vai para o governo federal, para o Fundo Nacional de Segurança e de Educação no Trânsito. O dirigente lembra ainda que uma situação recente reduziu a verba do órgão.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“O orçamento dos departamentos de trânsito tem ficado com menos recursos, pois uma emenda constitucional aprovada em 2016, no governo Temer, passou a destinar outros 30% do dinheiro arrecadado para os cofres federais”, afirmou Fonseca.Entre os gastos, os que demandaram mais recursos, cerca de 64% do valor total, foram as despesas com pessoal e com administração geral, que consumiram aproximadamente R$ 300 milhões.
As despesas incluem gestão das atividades da frota e benefícios pagos a servidores. Enquanto isso, o desembolso com educação de trânsito segue nas últimas posições, com menos de R$ 12 milhões investidos.
Dos R$ 433.561.863,23 angariados ao longo de 2017, o Detran também investiu R$ 47 milhões em serviços de engenharia de trânsito. Com a fiscalização, foram gastos R$ 5.808.927,76. Outros R$ 16 milhões foram direcionados a melhorias no atendimento aos cidadãos.
Para José Alencar, especialista em mobilidade urbana do Instituto Brasileiro de Ciências do Trânsito, o que motiva o aumento da arrecadação é, além de outros fatores, o reajuste no valor das infrações, em vigor desde o início de novembro do ano passado.
“Muitas passaram de média para grave, e até de grave para gravíssima. Isso multiplica exponencialmente o valor guardado. Mesmo assim, a verba recebida não é refletida com a mesma velocidade nas ruas, na manutenção e melhorias”, critica Alencar.
Colaborou Mirelle Pinheiro



