Técnico de enfermagem assume morte: “Reconheceu condutas que praticou”
Advogado de Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo afirmou que o réu confirma ter agido contra paciente na UTI do Hospital Anchieta
atualizado
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Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo (foto em destaque), um dos técnicos de enfermagem envolvidos na morte de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, assumiu autoria de um dos três homicídios pelos quais responde.
A informação foi confirmada à imprensa pelo advogado de defesa do réu, Reinaldo França, após a audiência de instrução do caso, no início da noite desta segunda-feira (8/6).
“Na primeira oitiva, ele não estava sendo representado por advogado. Em primeiro momento, ele negou a prática, mas, na mesma oitiva, perante o delegado, ele se retratou e reconheceu as condutas que ele praticou. […] Especificamente em relação a Miranilde, que foi reconhecida por ele a conduta praticada“, disse Reinaldo.
Segundo o advogado, as investigações não consideraram os quadros de saúde dos demais pacientes mortos antes da atuação do técnico.
“Ele reconheceu a conduta praticada em relação a paciente Miranilde, e é isso que a gente gostaria de deixar bem claro. Em relação aos demais pacientes, um deles, por exemplo, teve cinco paradas no intervalo de menos de quatro horas antes de Marcos entrar no leito. Não foi mencionado esse fato, que é de extrema relevância”, declarou.
Conforme informou o defensor, “não existe motivação por trás da conduta de Marcos em relação a morte de Miranilde”. O advogado classificou a autoria do técnico como “caso isolado”.
“A nossa expectativa hoje era esclarecer pontos que não foram ditos no curso da investigação. Devo lembrá-los: Marcos é um acusado que veio colaborando com a investigação. Ele foi ouvido duas vezes na delegacia, e nas duas vezes, reconheceu as condutas que foram praticadas por ele. Nesse momento de instrução processual, a defesa veio mais para poder tratar dos pontos que foram omitidos por algum motivo ou porque não interessavam à investigação”, afirmou Reinaldo.
Ainda de acordo com o advogado, Marcos assumiu a culpa sozinho e alegou não ter agido em conluio com outras pessoas.
Audiência de instrução
Os técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, acusados dos homicídios no Anchieta, chegaram ao Plenário do Tribunal do Júri de Taguatinga, na manhã desta segunda-feira (8/8), para prestarem depoimento no último dia da audiência de instrução do caso.
O trio é acusado e denunciado pelas mortes de Marcos Moreira, aos 33 anos, João Clemente Pereira, 63, e Miranilde Pereira da Silva, 75. Os técnicos de enfermagem estão presos desde o dia 12 de janeiro.
Em 12 de março, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) denunciou os envolvidos por homicídio doloso (quando há a intenção de matar). Com a anuência da Justiça, os técnicos se tornaram réus. Marcos Vinícius e Marcela Camilly foram denunciados por três óbitos, enquanto Amanda Rodrigues irá responder por dois. Eles também devem responder por algumas tentativas de homicídio.
A audiência de instrução no Tribunal do Júri é o ato processual da primeira fase do processo, exclusiva para apurar crimes dolosos contra a vida. O objetivo é colher provas, ouvir testemunhas e interrogar o réu para que o juiz decida se os acusados devem ou não ir a julgamento pelo júri popular.
Ação processual
A audiência dos técnicos teve início em 27 de maio e ouviu oito testemunhas. A previsão inicial era que a audiência fosse concluída após três dias, em 1º de junho. Porém, o Tribunal do Júri de Taguatinga tinha interesse em ouvir 32 testemunhas e precisou alterar as datas previstas e acrescentar um dia na previsão.
Nesta segunda-feira (8), além dos depoimentos dos réus, três testemunhas exclusivas de defesa foram ouvidas.
Marcos Vinícius apenas esclareceu dúvidas da defesa que o representa. Marcela, por sua vez, respondeu a toda a bancada de defesa. Amanda, última a depor, respondeu aos questionamentos do juiz, promotor, assistência de acusação e defesas. As duas mulheres disseram ser inocentes.
Veja a cronologia do caso
- Em 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos;
- Àquela altura, porém, o caso ainda não havia vindo à tona. O teor da operação só foi noticiado em 19 de janeiro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta;
O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição notar estranheza nos óbitos e semelhança entre os casos; - Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e
Marcela Camilly Alves da Silva, 22 teriam injetado altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75; - Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.
Quem eram as vítimas
Marcos Moreira, 33 anos, era morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos. O servidor dos Correios deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. O velório aconteceu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.
Outra vítima é João Clemente Pereira. Ele tinha 63 anos e era servidor da Caesb. Segundo a família, o paciente reclamava de dores de cabeça. No hospital, foi constatado que ele estava com um coágulo na parte superior do crânio.
Após cirurgia, o paciente apresentou algumas complicações pulmonares devido à intubação, mas melhorou com o passar dos dias. Em 18 de novembro, sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. João Clemente se aposentaria em dois anos. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.
A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva, 75. Segundo a investigação policial, o técnico preso injetou desinfetante na mulher.



