DF: mãe faz laços para crianças com câncer após filha vencer a doença

Tuany Santos começou a fazer os acessórios para que a filha pudesse usar na cabeça após a queda dos cabelos. Agora, ajuda outras meninas

atualizado 05/10/2019 15:42

Mãe de uma menina de 5 anos que enfrentou e venceu a leucemia, Tuany Santos, 28 anos, encontrou na arte uma maneira de encarar o tratamento contra o câncer da filha. Agora, Ana Letícia praticamente curada, a jovem tem concentrado esforços para produzir laços, turbantes, tiaras e lenços para que outras crianças com a doença possam melhorar a própria autoestima com os acessórios coloridos que ela produz. A enorme variedade dos itens feitos pela mãe foram fundamentais no tratamento e recuperação da filha.

Mais de um ano sem os danosos efeitos colaterais da quimioterapia, os lacinhos que antes enfeitavam a “carequinha” de Ana Letícia, segundo contou a mãe, agora amarram os cabelos cacheados e castanhos da pequena. Desde que se recuperou, Ana pôde voltar a frequentar a escola, onde cursa o ensino infantil, além de outras atividades culturais e esportivas.

Por cada acessório produzido, Tuany cobra um valor simbólico, que varia de R$ 3 a R$ 20, sendo o mais caro, o turbante. Desempregada, ela deseja transformar a produção em negócio e sustentar as duas filhas com a venda dos produtos.

“Eu tinha acabado de ser contratada para ser atendente em um restaurante no aeroporto, ainda estava no período de experiência quando recebi o diagnóstico. O tratamento dela exigia cuidados exclusivos e eu tive de pedir demissão para cuidar da minha filha”, conta Tuany.

Com o objetivo de alavancar as vendas, a artista criou a marca Lelê Laços, fez perfil no Instagram, definiu a identidade visual e embalagem, tudo isso com a ajuda de amigos.

Parte da divulgação ocorre nos grupos de WhatsApp de mães de pacientes do Hospital da Criança, onde Ana Letícia se tratou e faz o acompanhamento. Pela rede social, ela recebe encomenda dos acessórios infantis, mas também adapta os tamanhos para adultos.

Tuany diz que os primeiros sintomas da doença foram febres sem causa aparente. Depois, apareceram algumas manchas pelo corpo e a menina passou a vomitar. Ana chegou a receber o diagnóstico de dengue, logo derrubado pela consulta seguinte ao médico. Durante um atendimento no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), a equipe suspeitou que ela estava com leucemia e a encaminhou para o Hospital da Criança, referência em oncologia pediátrica.

“Eu comecei fazendo para ela, que estava carequinha. Aprendi como fazer esses acessórios com vídeos no YouTube, comprei os materiais no Taguacenter e comecei a produzir. Na época, tive de pedir demissão e trancar a faculdade de fisioterapia porque o tratamento exigia muito dela.”

Para a artista, uma renda extra de R$ 1 mil com a venda dos artigos seria o suficiente para melhorar a condição financeira da família, que mora na Cidade Estrutural. “É muito gratificante – e digo isso porque vivi essa sensação com a minha filha – quando a criança coloca o turbante ou o laço e, imediatamente, se sente mais bonita. A gente vê que a feição muda na hora. Elas colocam, se olham no espelho e sorriem. Isso é muito emocionante e não tem dinheiro que compre”, afirma.

Confira o trabalho da artista neste link.

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