“Sofrimento dilacerante”, diz mãe de Thalita Berquó em júri de réu. Veja vídeo
Mulher foi morta e esquartejada aos 36 anos, em janeiro de 2025, no Guará (DF). Acusado da morte da mulher vai a júri nesta quinta (14/5)
atualizado
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Familiares de Thalita Marques Berquó Ramos, 36 anos, reuniram-se em frente ao Fórum do Guará, na manhã desta quinta-feira (14/5), para acompanhar o julgamento de João Paulo Teixeira da Silva, um dos assassinos confessos da vítima. O Tribunal do Júri estava previsto para ter início às 8h30.
A vítima foi morta e esquartejada em 13 de janeiro de 2025, em uma área de invasão próxima ao Parque Ecológico Ezechias Heringer, no Guará (DF). O crime é considerado um dos mais bárbaros do Distrito Federal.
Antes do início do julgamento, os parentes de Thalita posicionaram uma faixa escrita “justiça por Thalita” e trouxeram nas mãos fotos da mulher. A família também fez uma roda de oração.
Ao Metrópoles, a mãe de Thalita falou sobre o sofrimento enfrentado pelos familiares desde o crime e disse esperar que o caso tenha um desfecho definitivo com a condenação do réu.
Segundo ela, o julgamento já havia sido adiado outras vezes, aumentando ainda mais a angústia da família.
“Tá todo mundo nervoso, ansioso. O sofrimento é muito grande pra todos nós. Esse julgamento era pra ter acontecido ano passado, depois passou pra março e foi adiado de novo. Hoje, Deus vai iluminar para que termine com a condenação desse monstro, que é o que eu espero”, comentou Valéria Marinho Berquó, 61 anos.
Valéria destacou que a morte de Thalita abalou profundamente toda a família, que era muito próxima da jovem. Emocionada, ela relatou que o impacto do crime vai além da dor de uma mãe.
“São tios, primos, todos extremamente próximos dela. Pegou todo mundo de surpresa. A dor é imensa, não só pra mim como mãe, mas pra todos eles também. Nossa família é muito unida, então o sofrimento está sendo dilacerante pra todos nós”, afirmou.
Ao lembrar da filha, Valéria descreveu Thalita como uma jovem carinhosa, humilde e muito ligada à família. Segundo ela, a jovem tinha um jeito acolhedor que marcava todos ao redor.
“A Thalita sempre foi uma menina muito amorosa, familiar. Ela podia passar anos sem ver uma pessoa, mas quando encontrava, parecia que tinha visto ontem. Sempre com sorriso, abraço, muito humilde, simples. Eu tenho muito orgulho da minha filha”, declarou.
A tia da vítima, Glaucia Marinho Berquó, 51 anos, também falou sobre o significado do julgamento para os familiares. Segundo ela, a expectativa é de que a Justiça aplique a pena máxima aos envolvidos no crime.
“A nossa expectativa é de justiça, pena máxima, condenação máxima, porque é um homicídio triplamente qualificado. A gente não busca vingança, a gente busca justiça e dar voz a ela, porque ela não teve direito a falar nada. A versão que a gente tem é somente dos assassinos, mas a gente está aqui pra dar voz à Thalita”, explicou.
Glaucia relembrou ainda o período de um ano e quatro meses desde o crime, marcado por sofrimento constante e incertezas.
“Foi muito difícil. A gente morreu muitas vezes. Com a notícia, com o sumiço, com bandido foragido. Hoje nós vamos reviver tudo, com todos os detalhes. A expectativa é muito difícil, mas ao mesmo tempo a gente está com aquela sensação de que vai ser feita justiça, de que vamos sair daqui encerrando esse ciclo da melhor forma possível”, pontuou.
Júri Popular
Inicialmente, o julgamento estava marcado para 9 de março, mas precisou ser adiado após a defesa do acusado abandonar o caso cinco dias antes da sessão. Diante da alteração processual, a Justiça do Distrito Federal determinou a remarcação do júri. A sessão está marcada para começar às 8h30 desta quinta.
João Paulo é um dos três acusados de participar do assassinato e esquartejamento de Thalita. Em março deste ano, ele também foi condenado a 11 anos, 6 meses e 18 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, por tentativa de homicídio contra um desafeto.
O acusado já está preso preventivamente desde março de 2025. Ele responde por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores.
Os outros dois envolvidos no caso, que eram adolescentes à época do crime, respondem na Vara da Infância e da Juventude por atos infracionais análogos aos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Relembre o crime
- Thalita Berquó foi morta no Parque Ecológico Ezechias Heringer, no Guará, em janeiro de 2025. A vítima teve a cabeça e as pernas arrancadas e jogadas pelos assassinos em um córrego da região. O tronco foi enterrado na área.
- Nos dias que se seguiram ao crime, a cabeça e as pernas de Thalita foram encontradas na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Companhia Ambiental de Saneamento do Distrito Federal (Caesb), no Setor de Clubes Esportivos Sul (SCES), próximo à Vila Telebrasília.
- No dia do crime, a vítima esteve em uma invasão dentro do parque, para comprar drogas. Porém, um desentendimento entre ela e os autores do crime teria ocorrido e culminado no homicídio.
- A discussão estaria relacionada à qualidade dos entorpecentes vendidos por eles a Thalita, que acabou morta a pedradas e facadas.














