Smartwatches são proibidos em visitas a presídios do DF

SSP identificou a possibilidade de dispositivos, levados por advogados, serem usados para fazer ligações clandestinas de clientes

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atualizado 14/01/2020 15:09

A Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) proibiu a entrada de smartwatches no momento de visita aos internos do sistema. A medida foi tomada após o sistema de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) identificar a possibilidade de advogados dos detentos viabilizarem aos clientes ligações clandestinas por meio desses dispositivos.

Investigações da Polícia Civil do DF revelaram a presença de três defensores que davam apoio ao Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção criminosa do país, que também está presente em Brasília. Dois desses profissionais foram alvo de mandados de busca e apreensão.

Na casa de um deles, os policiais encontraram documentos chamados de “cara-crachá”: folhas de inscrições contendo informações pessoais de membros do grupo.

A PCDF descobriu a existência de “casas de apoio” ao PCC e realizou uma série de pesquisa e sondagens de imóveis no Lago Sul, Lago Norte e Jardim Botânico.

“Estamos tendo problemas com alguns advogados. Recebemos a informação de que muitos cobram valores altos aos internos para entrar com smartwatches que fazem ligações e troca de mensagens”, aponta Adval Cardoso, titular da Subsecretaria do Sistema Penitenciário do DF (Sesipe)

“Tomamos a medida imediata de proibir a entrada desses dispositivos nas unidades prisionais e nossa inteligência está sendo empregada para que não se repita no DF problemas semelhantes de outros Estados”, ressalta.

O que são?

Smartwatches são relógios de pulso ligados a celulares. Eles podem atender e fazer ligações, além de contarem com funções como recebimento de mensagens, GPS, monitoramento cardíaco e até fotografia.

Na última semana, agentes de execução penal identificaram que um detento do Centro de Detenção Provisória portava dinheiro indevido após o momento da visita. Ao ser revistado, foi encontrado o montante de mais de R$ 1 mil com o interno, que confessou ter recebido a quantia de seu advogado.

O valor ultrapassa o máximo de R$ 150 permitido pelas regras internas do complexo penal. A Sesipe comunicou o caso à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pede providências contra o defensor que cometeu a irregularidade.

Só em 2019, mais de 78 mil agendamentos de advogados foram realizados para que pudessem atender detentos do sistema penitenciário e quase meio milhão de senhas foram emitidas para dias de visita.

No último ano, a secretaria identificou 136 visitantes que portavam diversos tipos de entorpecentes — muitos localizados no interior dos corpos, em frutas, produtos de higiene e vestuário.

Revistas

A Sesipe adquiriu 12 scanners corporais para a realização de revistas nas unidades prisionais. A aquisição ocorreu por meio de convênio com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Outros cinco foram doados pela pasta federal ao Sistema Penitenciário do DF. Desses, 10 estão em pleno funcionamento nas unidades prisionais. Os demais aguardam a conclusão das adaptações necessárias de espaço para funcionarem.

Os objetivos dos scanners corporais e de objetos são agilizar a entrada dos visitantes e diminuir a exposição vexatória durante a revista pessoal. (Com informações da SSP-DF)

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