PCC montou casa de apoio no DF com ajuda de advogados, diz PCDF

Imóvel servia de base para guardar drogas, armas e receber os novos faccionados que vinham de outros estados

atualizado 07/01/2020 15:32

Divulgação/Imagem ilustrativa

Investigação da Polícia Civil do DF descobriu a existência de “casa de apoio” mantida por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Distrito Federal. O imóvel era alugado e servia de base para guardar drogas, armas e receber os novos faccionados de outros estados. Durante a megoperação deflagrada nesta terça-feira (07/01/2020), batizada de Guardiã 61, foram apreendidos pistolas taser, livros, anabolizantes, celulares e documentos em endereços vinculados ao grupo (veja vídeo abaixo).

Investigadores da Divisão de Repressão a Facções Criminosas (Difac) identificaram a presença de três advogados do DF na facção. Dois deles foram alvo de mandados de busca e apreensão. Na casa de um advogado, os policiais encontraram documentos chamados de “cara-crachá”, folhas de inscrições contendo informações pessoais dos integrantes do grupo.

 

Os profissionais também realizaram uma série de pesquisa e sondagens de imóveis no Lago Sul, Lago Norte e Jardim Botânico para montar as “casas de apoio”. Segundo o delegado-chefe da Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor), Leonardo de Castro.

A polícia localizou o contrato de uma casa em Taguatinga e alugada por um advogado. O imóvel ficou ocupado pela facção por quatro meses do ano passado. “A vinda da cúpula para o DF fortaleceu e deixou os faccionados mais organizados em Brasília”, ressaltou o delegado-chefe da Difac, Guilherme Sousa Melo.

Reprodução/PCDF

 

Segundo os investigadores, célula da organização criminosa era composta por ao menos 30 integrantes e atuava praticando crimes como roubos e tráfico de drogas. O grupo se dividia em núcleos específicos de atuação. Uma parte se dedicava às práticas criminosas e outra tentava estabelecer condições para o desenvolvimento e a consolidação do grupo na capital federal, uma vez que a alta cúpula da facção está no Presídio Federal de Brasília.

Ao longo de um ano de investigação, foram identificados integrantes distribuídos estrategicamente em setores de atuação, com o auxílio de advogados, presidiários e egressos do sistema prisional, os quais praticam o tráfico de drogas e armas, roubos e ameaças a autoridades.

A PCDF teve acesso a bilhetes com ameaças a uma magistrada do DF. “Essa ameaça comprova a existência da facção no Distrito Federal e, inclusive, a presença dos chamados ‘gravatas’, advogados responsáveis por transmitir as ordens de dentro para fora dos presídios”, explicitou o delegado-chefe da Difac, Guilherme Sousa Melo.

Com o decorrer das apurações, até mesmo os investigadores entraram na mira dos criminosos. Delegados envolvidos na operação tiveram fotos divulgadas entre os faccionados e receberam ameaças.

Operação

Foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva, 10 de busca e apreensão, além da colocação de tornozeleira eletrônica em um dos alvos, conforme ordens expedidas pela da 5ª Vara Criminal do DF.

A ação tem apoio do Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional (Nupri) do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), da Subsecretaria do Sistema Penitenciário do DF (Sesipe), do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e conta com a participação de 120 policiais. Os investigados estão sujeitos a penas de 3 a 8 anos por promover, constituir e integrar organização criminosa.

 

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De acordo com a Difac, divisão da Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor), a estrutura da organização formava uma intricada rede de atividades criminosas, com a participação de indivíduos radicados em presídios de Presidente Venceslau (SP), Piraquara (PR) e Uberaba (MG). Tais ações seriam impulsionadas pela presença de lideranças do PCC no Presídio Federal de Brasília.

Plano de fuga

Em 20 de dezembro de 2019, o Metrópoles revelou com exclusividade que os integrantes da organização planejam colocar em prática o plano de resgate do líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Condenado a mais de 300 anos de prisão, Marcola cumpre pena no Presídio Federal de Brasília. A unidade chegou a receber reforço de tropas do Exército.

As informações sobre o plano de resgate partiram de São Paulo. O estado é berço da facção criminosa. Marcola foi transferido para a capital federal em março de 2019 sob forte aparato policial.

Há indícios de que o suposto resgate estaria pago e seria feito pelo traficante internacional Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como Fuminho. Ele é um dos principais nomes do PCC que está solto e atua nas ruas.

De acordo com informações, os criminosos estariam aguardando o aval de Fuminho para colocar o plano em prática. O PCC teria reunido um verdadeiro exército de alto nível e com integrantes que possuem conhecimento militar e de armamentos. A facção já teria mapeado os arredores do complexo penitenciário em Brasília com o uso de drones.

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