Polícia Civil faz megaoperação contra o PCC no Distrito Federal

Entre os alvos de mandados de prisão, busca e apreensão, estão advogados e presidiários acusados de integrarem a facção criminosa

atualizado 07/01/2020 8:48

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Megaoperação foi deflagrada na manhã desta terça-feira (07/01/2020) para coibir a consolidação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Distrito Federal. A ação, batizada de Operação Guardiã 61, é coordenada pela Divisão de Repressão a Facções Criminosas (Difac). Foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva, 10 de busca e apreensão, além da colocação de tornozeleira eletrônica em um dos alvos, conforme ordens expedidas pela da 5ª vara criminal do DF.

A ação tem apoio do Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional (Nupri) do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), da Subsecretaria do Sistema Penitenciário do DF (Sesipe), do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e conta com a participação de 120 policiais. Os investigados estão sujeitos a penas de três a oito anos por promover, constituir e integrar organização criminosa.

Segundo os investigadores, célula da organização criminosa era composta por ao menos 30 integrantes e atuava praticando crimes como roubos e tráfico de drogas. O grupo se dividia em núcleos específicos de atuação. Parte se dedicava às práticas criminosas e a outra tentava estabelecer condições para o desenvolvimento e a consolidação do grupo na capital federal, uma vez que a alta cúpula da facção está presa no Presídio Federal de Brasília.

Ao longo de um ano de investigação, foram identificados integrantes distribuídos estrategicamente em setores de atuação, com o auxílio de advogados, presidiários e criminosos egressos do sistema prisional, os quais praticam o tráfico de drogas e armas, roubos e ameaças a autoridades.

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De acordo com a Difac, divisão da Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organziado (Cecor), a estrutura da organização formava uma intricada rede de atividades criminosas, com a participação de indivíduos radicados em presídios de Presidente Venceslau (SP), Piraquara (PR) e Uberaba (MG). Tais ações seriam impulsionadas pela presença de lideranças do PCC no Presídio Federal de Brasília

Plano de fuga

Em 20 de dezembro de 2019, o Metrópoles revelou com exclusividade que os integrantes da organização planejam colocar em prática o plano de resgate do líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Condenado há mais de 300 anos de prisão, Marcola cumpre pena no Presídio Federal de Brasília. A unidade chegou a receber reforço de tropas do Exército.

As informações sobre o plano de resgate partiram de São Paulo. O estado é berço da facção criminosa. Marcola foi transferido para a capital federal em março de 2019 sob forte aparato policial.

Há indícios de que o suposto resgate estaria pago e seria feito pelo traficante internacional Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como Fuminho. Ele é um dos principais nomes do PCC que está solto e atua nas ruas.

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De acordo com informações, os criminosos estariam aguardando o aval de Fuminho para colocar o plano em prática. O PCC teria reunido um verdadeiro exército de alto nível e com criminosos que possuem conhecimento militar e de armamentos. A facção já teria mapeado os arredores do complexo penitenciário em Brasília com o uso de drones.

Líder

Marcola foi preso pela primeira vez pela polícia paulista no final da década de 1990, por roubos a carros-fortes e bancos. Na prisão, também foi condenado por formação de quadrilha, tráfico de drogas e homicídio.

Recentemente, a Justiça o condenou a 30 anos de prisão no processo da Operação Ethos, que investigou o setor jurídico da organização criminosa. Com essa decisão, o total das penas impostas a Marcola ultrapassa 300 anos.

Para justificar a transferência de Marcola do presídio de Presidente Venceslau para Brasília, promotores do Ministério Público de São Paulo afirmaram que o PCC planejava resgatá-lo. De acordo com eles, foram gastos dezenas de milhões de dólares no plano, investindo em logística, compra de veículos blindados, aeronaves, material bélico, armamento de guerra e treinamento de pessoal.

Desconforto

A chegada dele ao Presídio Federal de Brasília, em março do ano passado, causou mal-estar entre o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o governador, Ibaneis Rocha (MDB), contrário à permanência de lideranças de facções no Distrito Federal.

À época, o emedebista mostrou-se preocupado com a segurança da capital da República, visto que familiares e integrantes dos grupos criminosos se instalariam na cidade para ficar mais perto de seus comandos.

O líder da organização criminosa paulista foi trazido de Rondônia com outros três presos para o presídio do DF no mesmo dia que a Polícia Civil deflagrou uma operação e prendeu oito pessoas acusadas de fazerem parte do PCC na capital.

 

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