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A resposta dos servidores ao anúncio do Palácio do Buriti de que vai usar, novamente, dinheiro do Instituto de Previdência (Iprev) para pagar salários foi imediata. Para eles, a falta de gestão dos recursos públicos é o verdadeiro motivo para a crise financeira no Distrito Federal. Entidades que representam o funcionalismo público local criticam a falta de transparência do governo e alertam que vão recorrer à Justiça para proteger o patrimônio do Iprev.

“No mês passado foi a mesma coisa. Falaram que estavam com déficit de R$ 76 milhões. O dinheiro surgiu de uma hora para outra e pagaram no 5º dia útil. É um filme repetido. E, depois, vão colocar a culpa na previdência”, apontou Clayton Avelar, presidente do Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural. Ele tem “convicção” de que o GDF  “está manipulando números de acordo com sua conveniência”.

Para a presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, o governo Rollemberg colocou “uma faca no pescoço dos servidores” e, por isso, a categoria vai tentar derrubar a proposta na Câmara Legislativa e, se não der certo, vai recorrer à Justiça.

É um absurdo o que ele está fazendo. Levou mais de um ano e ainda não pagou a retirada que fez no ano passado. A transferência dos imóveis ainda não foi finalizada. Então, cadê a credibilidade para fazer de novo?"
Marli Rodrigues

Quem também está sem entender as contas do Buriti é Ibrahim Yusef, presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Direta. “Estamos numa situação delicada. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, desabafa. De acordo com ele, o governo não tem controle das contas e quem paga a conta é o funcionário. “A que ponto chegamos, de não ter nem a garantia do salário”, completou.

Rombo
Pelos cálculos do Palácio do Buriti, só há dinheiro em caixa para pagar 85% da folha de pessoal de novembro, estimada em R$ 1,6 bilhão. Isso representa um rombo de R$ 175 milhões.

Ao todo, serão utilizados R$ 493 milhões do Iprev. Segundo o secretário de Fazenda, Antonio Fleury (foto de destaque), os recursos serão devolvidos em ações do Banco de Brasília (BRB).

Em 2015, o GDF adotou a mesma estratégia para fechar a folha de pessoal. Na época, retirou R$ 1,2 bilhão do Iprev. O valor não foi devolvido até hoje. Para quitar o “empréstimo” feito ano passado, foram doados ao instituto 72 imóveis da Terracap, avaliados em R$ 1 bilhão, e 36 do estoque do governo, no valor de R$ 300 mil. Mas a titularidade das propriedades ainda não foi transferida à entidade.

O governo ressalta que “tem feito um enorme esforço para pagar em dia os funcionários públicos, no momento em que o Brasil atravessa sua pior crise econômica, com grande impacto nas contas dos estados”. Em nota, explica que a medida “é também uma demonstração do respeito pelo empenho dos servidores em atender com dignidade à população da nossa cidade”.

 

 

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