Servidor morto: falta de escolta foi avisada 51 minutos antes de júri começar
Júris foram desmarcados em função da falta de escolta de presos, inclusive um referente a um caso de grande repercussão na cidade
atualizado
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A falta de escolta durante a assembleia de policiais penais realizada na terça-feira (7/4) teria sido informada pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) às varas judiciais 51 minutos antes do início das primeiras sessões do Tribunal de Júri previstas para aquele mesmo dia.
Conforme apurado pelo Metrópoles, o aviso da Polícia Penal teria sido enviado às 8h09, enquanto as sessões eram previstas para iniciar a partir das 9h, e a Justiça repassou o comunicado às varas somente às 10h51, horário em que alguns julgamentos já teriam de estar em andamento.
Essa demora em comunicar as varas fez com que as 29 testemunhas do julgamento de Brendo Washington e de Edicarlos Santos, acusados de um homicídio contra um servidor o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), fossem ao local sem necessidade. Elas acabaram tendo de ser dispensadas após a ausência de escolta dos réus.
O julgamento estava marcado para às 9h dessa terça-feira (7/4) e foi remarcado para o dia 1º de setembro deste ano, quase cinco meses depois da data prevista inicialmente.
A Justiça do Distrito Federal encaminhou o e-mail para todas as varas judiciais informando sobre a situação.
“Informamos que, conforme orientação do Núcleo de Escolta (NUESC/DPOE/SEAPE-DF), as escoltas de internos para audiências presenciais e por videoconferência agendadas para o dia 7 de abril de 2026 (terça-feira) foram canceladas. A medida deve-se à inviabilidade operacional decorrente da insuficiência de efetivo, motivada pela convocação de Assembleia Geral da categoria dos Policiais Penais do Distrito Federal na referida data”, diz o e-mail do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) anexado no processo.
A Seape e o Tribunal de Justiça do DF foram acionados para se manifestar sobre os possíveis atrasos na comunicação, mas não retornaram até o momento.
Ato dos policiais penais
- Na última terça-feira (7/4), os policiais penais pediram a regulamentação e valorização da categoria, além de integrantes da Seção Sindical dos docentes da Universidade do Distrito Federal (SindUnDF), que cobram reestruturação da carreira, melhores condições de trabalho, criação e funcionamento de conselhos superiores e eleição para a reitoria.
- O Metrópoles apurou que até 1º de abril, ao menos 166 servidores que ocupavam cargos de chefia colocaram as funções à disposição, em meio à insatisfação com a falta de reestruturação das carreiras. Parte dos policiais penais também deixou o serviço voluntário gratificado.
Júris cancelados
Além do julgamento da dupla acusada de matar o servidor do Ibram, outros três júris foram anulados na última terça-feira (7/4).
O TJDFT confirmou ao Metrópoles que os júris estão sendo adiados por falta de escolta. A Seape informou que em razão do movimento sindical, algumas escoltas foram suspensas, situação que teria sido previamente tratada com o TJDFT.
“Durante todo o período do movimento, a Seape adotou medidas para mitigar os impactos das assembleias, promovendo o remanejamento temporário de policiais do expediente administrativo para o plantão em unidades consideradas mais sensíveis sob o ponto de vista da segurança”, informou a Seape.
No comunicado, a Seape informou que seria realizada uma assembleia pelos policiais penais, em frente ao Palácio do Buriti, para pedir valorização da categoria, por isso não seria possível realizar a escolta regularmente.
