Senhor do Tempo: alvo da PCDF, homem fraudava quilometragem de 25 carros por dia em Brasília

De acordo com as investigações, o homem cobrava R$ 100 dos lojistas por cada adulteração e reduzia até 150 mil quilômetros no hodômetro

atualizado 24/09/2021 14:54

PCDF deflagra operação Senhor do Tempo, na Cidade do AutomóvelHugo Barreto/Metrópoles

Um esquema criminoso responsável por adulterar a quilometragem de centenas de veículos que circulam pelo Distrito Federal é alvo de megaoperação desencadeada pela Polícia Civil (PCDF) nas primeiras horas desta sexta-feira (24/9). Policiais da Coordenação de Repressão a Crimes Patrimoniais (Corpatri) cumprem 19 mandados de busca e apreensão e um de prisão em 17 lojas e concessionárias na Cidade do Automóvel.

A operação batizada de Senhor do Tempo faz alusão ao suspeito contratado pelas empresas para reduzir os números marcados pelo hodômetro, o sistema de contagem da distância percorrida pelo veículo ao longo de sua existência. De acordo com as investigações, o homem cobrava R$ 100 dos lojistas por cada adulteração.

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Durante a apuração, iniciada em abril, os policiais da Divisão de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (DRFV) identificaram que o falsificador chegava a reduzir a quilometragem de até 25 carros por dia. O criminoso costumava chegar à Cidade do Automóvel por volta de 10h e permanecia até as 18h, atendendo aos chamados feitos por meio do telefone.

A investigação começou depois que policiais da DRFV flagraram um indivíduo no showroom de uma loja na Cidade do Automóvel, realizando a redução da quilometragem do painel de um carro. A partir de então, mediante autorização judicial, os agentes realizaram o acompanhamento e monitoramento do envolvido e descobriram que diversas agências revendedoras de veículos da Cidade do Automóvel, e de outras localidades do DF, utilizavam os serviços.

Trinta veículos com quilometragem adulterada foram identificados pelos policiais. “Esse número representa apenas uma pequena parte do que ocorre na Cidade do Automóvel, já que as
investigações mostraram que muitas adulterações ocorrem em espaços reservados dos estabelecimentos, inacessíveis as equipes policiais”, afirmou o coordenador da Corpatri, delegado André Luis da Costa e Leite.

Alta quilometragem

Veículos com mais de 200 mil ou 300 mil quilômetros facilmente eram deixados com 100 mil ou 150 mil rodados. Com peças e acessórios desgastados pela longa autonomia, o crime colocava até a vida das vítimas em risco, segundo Leite. “Além do prejuízo financeiro, pois o compradores investiam quantias em veículos que, supostamente, estavam pouco rodados, ainda corriam o risco de sofrerem acidentes em razão do desgaste de peças”, disse.

O fraudador demorava cerca de 10 minutos para retroceder o hodômetro de determinados veículos. ” Esse suspeito já havia sido proprietário de uma oficia especializada no consertos de painéis e velocímetros e tinha todo o equipamentos necessário e a habilidade para cometer as fraudes”, explicou o delegado da DRFV, Bruno Ehndo.

O “Senhor do Tempo” foi preso em casa, quando se preparava para viajar. Ele faturava, diariamente, pelo menos R$ 1 mil. Além da Cidade do Automóvel, o fraudador também atendia em domicílio. Nesses casos, o valor do serviço era mais alto: R$ 200.

Em nota, a Associação das Empresas Revendedoras de Veículos do Distrito Federal (Agenciauto) se pronunciou sobre a operação deflagrada nesta sexta-feira e disse que apoia todo tipo de ação e investigação que venham desmantelar possíveis ações criminosas. “A própria entidade, em diversas ocasiões, já denunciou práticas desse tipo às autoridades competentes”, disse o comunicado.

Veja a nota na íntegra:

Nota Agenciauto by Metropoles on Scribd

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