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Quatro dias depois de um grande incêndio no sexto andar do Bloco M da 110 Norte, uma moradora do prédio relatou os momentos de desespero e pânico vividos. A economista Beatriz Fortes, 45 anos, reside no apartamento 602 e conta que não estava em casa no momento da propagação das chamas no 603, onde estava uma idosa de 87 anos.

“Me deparei com uma senhora gritando: ‘Socorro! Me ajuda, estou sozinha e meu apartamento está pegando fogo'”, relembra. Beatriz conta que chegou a pegar o extintor para tentar apagar as labaredas, mas as chamas já tinham tomado conta do apartamento. “Chamei pelo cachorro, mas ele não veio”, relembrou.

O cachorrinho, chamado Uísque, morreu asfixiado. Estava há 11 anos com a família do coronel da reserva do Exército Adhemar Sprenger Ribas, 64 anos, morador do 603. “Sofri muito com a perda do meu bichinho, ele conviveu comigo todo esse tempo”, disse o militar, nessa quarta (16/5).

Sem querer se identificar, a esposa de Adhemar também comentou o incêndio. “Cada vez que eu lembro, dá vontade de chorar. Agradeço que todas pessoas do prédio estejam bem”, pontuou. Um amigo está fazendo uma vaquinha on-line para ajudar a família, que não tem seguro do apartamento.

Em nota encaminhada ao Metrópoles nesta quinta (17), a SulAmérica informou que o contrato firmado com a empresa cobre incêndio apenas na área estrutural do condomínio. Portanto, cada morador terá de arcar com o próprio prejuízo material.

Ao lado da esposa e dos filhos, o coronel Adhemar Sprenger Ribas afirmou ter perdido tudo o que conquistou com seu trabalho. “A partir de agora, é um novo começo”, ressaltou no fim da tarde dessa quarta (16).

No prédio, foram concluídos 70% do trabalho de escoramento. “Também já iniciamos os serviços de recuperação das instalações”, disse Renato Cortopassi, engenheiro responsável pela obra. Depois do reforço na estrutura, será feita a perícia no local.

De acordo com Cortopassi, cabos elétricos, instalações de esgoto e demais sistemas estruturais foram consumidos pelo fogo. “Foi tudo derretido. Será um trabalho enorme, por isso vai demorar mais de uma semana. Não é mais um edifício habitacional. Virou uma obra”, destacou.

A expectativa é que os cerca de 70 moradores dos 24 imóveis não voltem a suas casas antes do dia 28 de maio. Nessa quarta (16), teve início a instalação de 80 torres metálicas, as quais suportam cerca de 480 toneladas e darão sustentação ao edifício.

Já é sabido que a laje do teto do sexto andar foi a mais afetada. “O escoramento está sendo feito entre o quarto e o quinto andar, o quinto e o sexto, e entre o sexto e a cobertura”, detalhou o engenheiro.

 

 

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