Vítima de homofobia, jovem sobrevive a 22 facadas no DF

Mãe do rapaz diz que agressores gritavam que o filho dela merecia morrer por ser homossexual

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atualizado 22/10/2019 11:24

Vítima de homofobia, um rapaz de 23 anos foi esfaqueado 22 vezes na Rua do Lago, principal via de Brazlândia. O promoter caminhava pela calçada quando acabou cercado por 16 homens, alguns portando armas brancas. A vítima havia deixado uma festa beneficente organizada por ela em uma área rural da região administrativa. Os suspeitos o perseguiram e atingiram com golpes na cabeça, no peito, nas costas e nos braços. A 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia) investiga o caso, ocorrido em 6 de outubro, como tentativa de homicídio provocada por crime de gênero.

De acordo com a mãe do promoter, os criminosos atacaram em bando quando o filho deixava o evento e retornava para casa. “Antes de receber tantas facadas, a última coisa que ele conseguiu ouvir dos bandidos é que iria morrer por ser homossexual”, disse. O rapaz tentou se defender e correr dos algozes, mas foi alcançado. Mesmo com dezenas de testemunhas que deixavam os bares nas proximidades, os agressores não se intimidaram em tentar matar o rapaz.

Segundo a mulher, a primeira facada foi na cabeça. Após cair, ele acabou golpeado outras 21 vezes. “A sorte foi que um casal de amigas dele estava próximo, e uma delas correu e o abraçou para que parassem de esfaqueá-lo”, contou. Após as agressões, o filho foi internado no Hospital Regional de Brazlândia (HRB).

Fuga

Mesmo ferida e sangrando muito, a vítima conseguiu se levantar. Um casal que passava de carro pelo local a levou ao hospital. “Meu filho entrou dentro desse veículo, onde havia inclusive um bebê. Mesmo assim, os agressores cercaram o carro e ameaçavam quebrar os vidros para matar o jovem. Por sorte, ele arrancou em direção ao hospital”, disse a mãe do promoter.

Quando chegou ao hospital, o jovem precisou passar por cirurgia e foi internado em uma unidade semi-intensiva. O jovem chegou a ter um dos pulmões perfurado e precisou de um dreno, colocado pelos médicos.

“Foi um crime muito violento, e meu filho escapou por milagre. Ele foi atacado por causa de sua orientação sexual, e isso é brutal. A todo instante, ele pedia para as pessoas próximas não o deixarem morrer. Ele foi acuado e esfaqueado como um animal”, desabafou a mãe.

O jovem foi liberado pela equipe médica no último domingo (20/10/2019) e foi ouvido pelos investigadores da Polícia Civil nessa segunda-feira (21/10/2019). A 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia) trata o caso como prioridade.

Como se trata de um crime de gênero, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa (CLDF) irá acompanhar o caso.

(*) O Metrópoles não divulgará os nomes de mãe e filho, por questões de segurança da vítima

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