Três presos abrem buraco na parede e fogem da Papuda

O caso foi registrado na 30ª Delegacia de Polícia. A Sesipe determinou que policiais reforcem as buscas aos foragidos

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 28/01/2020 12:12

Três presos fugiram do Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda, em São Sebastião. Os internos abriram um buraco na parede e conseguiram escapar durante a madrugada desta terça-feira (28/01/2020). A informação foi confirmada pela reportagem com fontes da Secretaria de Segurança Pública do DF.

A fuga é investigada pela 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião). A Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) determinou que policiais reforcem as buscas aos foragidos.

“Estamos investigando e tentando capturar”, afirmou o governador Ibaneis Rocha (MDB), durante evento público nesta terça. O chefe do Executivo local disse ainda que aguarda mais informações da Secretaria de Pública sobre o caso.

A última fuga registrada no complexo ocorreu em 21 de fevereiro de 2016, quando 10 detentos da Penitenciária do Distrito Federal 1 (PDF 1) escaparam durante a chamada nominal feita pelos agentes, ato conhecido como “confere”. O local abriga presos que cumprem pena em regime fechado.

Confira os nomes dos foragidos:
Carlos Augusto Mota de Oliveira: cumpre pena por latrocínio
Roberto Barbosa dos Santos: cumpre pena por estelionato e formação de quadrilha
André Cândido Aparecido da Silva: cumpre pena por tráfico de drogas, receptação e desacato

Qualquer informação que possa ajudar as operações de captura dos foragidos pode ser passada pelos telefones 3234-4486, 197 e 190.

 

Reprodução

Tentativa frustrada
Em 26 fevereiro de 2016, houve uma nova tentativa de fuga no Centro de Detenção Provisória da Papuda. O incidente ocorreu três dias depois da troca de comando do sistema prisional do DF, por volta das 10h30, durante o banho de sol no CDP.

Os internos aproveitaram o momento para fazer uma ação denominada “cavalo doido”, quando saem correndo em várias direções ao mesmo tempo para dificultar o controle dos agentes penitenciários.

A tentativa foi impedida porque já havia chegado ao recém-empossado do diretor da Sesipe, Anderson Espíndola, a informação, passada por meio da inteligência do presídio, de que estava sendo arquitetado um plano de fuga.

Forças do Diretoria Penitenciária de Operações Especiais foram designadas para agir. Relatório de inteligência da Sesipe sobre a situação mostrou que um grupo de presos que sofria ameaças de morte tentava fugir. “Eles já começavam a ruptura dos obstáculos”, informou o documento.

Confira no áudio o que ocorreu à época:

Bonde
A confusão começou justamente na hora em que estaria chegando o “bonde”, transporte que traz os detentos que ficam na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), na entrada do Parque da Cidade, assim que são presos.

O “bonde” é feito todas as terças e sextas-feiras. Por semana, entre 250 e 300 presos chegam ao CDP.

O fato ocorreu menos de uma semana depois da fuga de 10 detentos da Penitenciária da Papuda, no domingo (21/02/2016). Esse foi o estopim para uma crise na segurança pública brasiliense.

Superlotação
Segundo um diagnóstico do sistema penitenciário do DF elaborado no final de 2019 pelo próprio Governo do DF, a superlotação é um dos problemas do CDP. A unidade tem cerca de 3.500 internos (quando a capacidade máxima é de 700), que ficam, em média, seis meses no local. Em cada um das celas – com capacidade para quatro detentos – existem pelo menos 15 presos, sendo que em algumas o número chega a 49.

A estrutura física do centro também apresenta problemas. A construção data de 1978, feita com materiais utilizados em obras normais e não específicos para abrigar presidiários. O relatório diz que “os presos sabem que as estruturas do CDP são frágeis” e que foram registradas cinco tentativas de fuga no local.

A exemplo das outras unidades prisionais, o centro também enfrenta déficit de pessoal. O efetivo de servidores atualmente estaria na metade do necessário.

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